Manderlay

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País


Sinopse

Depois do episódio ocorrido em Dogville, Grace e seu pai partem em direção ao Sul dos EUA e vão parar na cidade de Manderlay. Neste lugar ainda há escravidão de negros – mesmo com a abolição tendo ocorrido há 70 anos. Com sua vontade de ajudar a humanidade, a moça resolve ficar, acabar com a escravidão e trazer a democracia. Mas ela descobre que há um preço caro a se pagar quando se propõe mudanças tão radicais.


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Crítica Cineweb

08/11/2005

O cineasta dinamarquês Lars von Trier – ao lado de sua personagem Grace, que apareceu pela primeira vez em Dogville– dá mais um passo na sua cruzada para salvar os Estados Unidos. Depois de expor a hipocrisia da sociedade norte-americana com o primeiro título da trilogia, agora, com Manderlay, ele aborda os conflitos raciais tão latentes na terra do Tio Sam.

Desta vez, Grace é interpretada pela ótima Bryce Dallas Howard (A Vila) porque Nicole Kidman não pode fazer o filme. Manderlay, aliás, começa com a moça e seu pai (desta vez interpretado por Willem Dafoe) saindo da cidade e rumando para o Sul dos EUA.

Eles chegam à cidade que dá nome ao filme e descobrem que mesmo 70 anos depois da abolição da escravidão no país, os negros ainda não mantidos como escravos, servindo a patrões brancos. Ao chegar no local, Grace impede que um deles seja chicoteado, acaba se comovendo com a situação dessas pessoas e decide ficar na cidade para ajuda-los.

Ainda assim, o pai de Grace, um gângster, lembra à filha uma vez quando era pequena e tentou libertar um passarinho da gaiola e o animal não conseguiu sobreviver na natureza. Mas a moça se mostra obstinada e fica em Manderlay, deixando o pai seguir seu caminho.

Antes de morrer, a proprietária dos escravos (Lauren Bacall) pede a Grace que queime um livro em que chama “Lei de Mam”, no qual estão registradas as normas daquela sociedade, além de uma classificação dos escravos em vários tipos. A moça se recusa e mantém o documento guardado.

Grace começa sua árdua jornada rumo a transformar os ex-escravos em pessoas livres. A maior dificuldade é fazer com que eles aceitem a nova ordem social – sem escravos e senhores – e que se organizem de forma democrática.

O diretor e roteirista volta a empregar o mesmo estilo usado em Dogville, com cenários mínimos e um trabalho acentuado de seu elenco, do qual se destacam Isaach De Bankolé e Danny Glover, como dois escravos de personalidades bem distintas. Os outros coadjuvantes também respondem à altura, criando personagens muito próximos do real, assustadores em sua humanidade.

Von Trier volta a abordar temas complexos e políticos dos EUA contemporâneos, e, por conseqüência, quase que de todo o mundo ocidental. No Festival de Cannes, onde o filme foi lançado, ele disse que "a correção política tem matado muitas discussões. Agora, há um ator negro interpretando um presidente em cada emissora de TV. Se o ator for negro, ele não pode ter um personagem mau. Na verdade, toda essa correção política nos faz parar de falar nas coisas. Nada é assim na vida real".

Embora von Trier não tenha assumido, Manderlay pode ser lido como uma metáfora da relação entre os EUA (Grace) e o resto do mundo (os escravos) -- recentemente, especificamente o Iraque. A personagem chega impondo a sua democracia, entrando em conflito em nome da liberdade. Mas será que os ex-escravos querem a liberdade? Será que esta democracia é o caminho que eles devem seguir? O cineasta/roteirista astutamente monta um paralelo entre as duas situações, inserindo vários pontos de interrogação na cabeça de sua platéia.

O diretor já disse em diversas entrevistas que pretende reunir Nicole e Bryce para interpretar o papel principal no último filme da trilogia, que deve ser lançado apenas em 2007. Ele também já revelou que o título será Wasington – ou seja, o nome da capital norte-americana com a grafia adulterada.

Enquanto isso não acontece, em Manderlay, novamente, o cineasta escolheu para os créditos finais a versão de David Bowie para a canção “Young Americans”, e, mais uma vez utiliza fotos jornalísticas para fazer um retrato verdadeiro e perturbador da sociedade norte-americana, desta vez retratando a questão social e Bush no papel de Nixon.

Alysson Oliveira


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