O Coronel e o Lobisomem

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País


Sinopse

Quando o avô de Ponciano morre, ele herda o título de coronel e a fazenda Sobradinho. Seu amigo de infância Pernambuco Nogueira o ajuda a administrar a propriedade. Mas quando a suspeita de que há um lobisomem nas redondezas recai sobre ele, o novo Coronel o manda embora. Anos mais tarde, Nogueira reaparece para se vingar, agora casado com Esmeraldina, prima e antigo amor de Ponciano.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

04/10/2005

Nos últimos anos, o diretor, roteirista e produtor Guel Arraes criou uma espécie de padrão de qualidade com seus dois filmes O Auto da Compadecida (2000) e Lisbela e o Prisioneiro (2003). O Coronel e o Lobisomem, lançado em todo o país nessa sexta, é uma tentativa de continuar com essa proposta. Porém, aqueles que esperam encontrar um filme nos mesmos moldes dos anteriores certamente irão se frustrar.

O Coronel e o Lobisomem repete o mesmo rigor técnico das outras produções de Arraes, mas aqui, a direção é do estreante Maurício Farias (da série de TV Hilda Furacão, entre outras) que tem a mão pesada resultando num filme arrastado, mal interpretado e que se leva a sério demais.

O roteiro, assinado por Arraes, João Falcão e Jorge Furtado, é baseado no romance homônimo de José Candido de Carvalho, que já foi adaptado para o cinema em 79 e para a TV em 82 e nos anos 90, este dirigido por Arraes. E mesmo quem não souber que o filme é adaptado de uma obra literária não terá dificuldade em imaginar isso. O texto é carregado em narração feita pelo Coronel Ponciano Azeredo Furtado (Diogo Vilela) o que o torna redundante ao repetir verbalmente aquilo que se vê em imagens na tela, além de cansativo.

A história gira em torno de um julgamento no qual o Coronel tenta provar que seu amigo de infância Pernambuco Nogueira (Selton Mello) é um lobisomem que o fez perder a sua fazenda. E os flashbacks vão surgindo para contar essa história.

Neto do Coronel Simeão (Othon Bastos), Ponciano foi criado junto com amigo que era filho de empregados. Depois de crescidos, o rapaz herda o título de coronel do avô e a fazendo Sobradinho. Nogueira ajuda o novo dono a administrar a propriedade. Mas é mandado embora quando surgem uns rumores de que ele é um lobisomem e aterroriza as redondezas.

Mais tarde, Nogueira retorna, agora casado com Esmeraldina (Ana Paula Arósio), prima e antiga paixão de Ponciano. Com suas tramóias, o administrador faz com que o coronel hipoteque sua fazenda e acaba ficando com a propriedade. Por isso Ponciano o leva para o tribunal para tentar recupera-la, provando que o ex-amigo é um lobisomem.

A produtora Paula Lavigne se vangloriou, na apresentação do filme para a imprensa em SP, dizendo que os efeitos especiais só foram possíveis graças à parceria com a empresa que os produziu. Os técnicos, aliás, tiveram de ir para os EUA para fazer um curso para poder criar o lobisomem.

Mas o resultado final na tela deixa claro que nem era preciso tanto. Isso no fundo é mero reflexo da pretensão do filme. O Coronel e o Lobisomem se leva a sério demais, quando na verdade ficaria melhor se buscasse um tom de humor popular. O investimento em efeitos nem se justifica –até porque quando a criatura aparece a cena é escura e rápida – uma fantasia de lobisomem talvez trouxesse muito mais graça.

O elenco fica deslocado sem uma direção segura. Vilela, um grande comediante, não encontra o tom certo de seu personagem. Os únicos respiros cômicos acontecem quando estão em cena Pedro Paulo Rangel (como uma espécie de fiel escudeiro do coronel) e Andréa Beltrão e Francisco Milani (em seu último trabalho) – repetindo a parceria da série Armação Ilimitada – como uma possível pretendente para Ponciano e seu pai viciado em briga de galos.

A trilha sonora é assinada por Milton Nascimento e Caetano Veloso. E nem por isso vale o ingresso de cinema. Os dois cantores e compositores são sub-aproveitados durante o filme e surgem somente nos créditos finais.

Para que O Coronel e o Lobisomem tivesse dado certo era preciso assumir mais de sua veia cômica –afinal o pôster vende o filme como uma ‘comédia fantástica’ – e ser menos reverente ao texto original. Arraes diz planejar uma adaptação de O Bem Amado, de Dias Gomes – tomara que para esse filme volte a apostar no seu antigo ‘padrão de qualidade’.

Alysson Oliveira


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