Amor Para Sempre

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Sinopse

Um trágico acidente de balão muda radicalmente a vida dos envolvidos. O estranho Jed começa a perseguir o professor Joe, alegando que precisa conversar para superar a tragédia. Mas, aos poucos, essa suposta amizade vai se tornando um amor obsessivo e perigoso. Baseado no livro homônimo de Ian McEwan.


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Crtica Cineweb

27/09/2005

No drama britânico Amor Para Sempre, dirigido pelo sul-africano Roger Michell (Um Lugar Chamado Notting Hill, Fora de Controle), Rhys Ifans (que fez o amigo esquisito de Hugh Grant em Notting Hill) faz novamente um personagem estranho. Mas se na comédia romântica ele causava riso e carisma com seu jeito de pessoa descuidada e que não liga muito para o mundo, aqui ele causa arrepios (embora ainda pareça que não seja muito adepto a tomar banhos) como um psicopata obcecado por Joe (Daniel Craig).

Depois de um impressionante acidente envolvendo um gigantesco balão vermelho, Jed (Ifans) acredita que de alguma forma está conectado para sempre ao professor Joe – a quem ele nem conhece. Os dois tentavam ajudar a evitar a tragédia, nada além disso. Mas o rapaz acredita que aquele acontecimento deslanchou uma espécie de atração mútua entre eles. O que não é verdade, pois o outro está apaixonado por sua namorada Claire (Samantha Morton). Mas isso não impede a Jed de começar a perseguir Joe. O que no início parece ser apenas mais um caso de uma pessoa solitária, aos poucos vai se tornando uma obsessão perigosa.

O roteiro de Joe Penhall, baseado no livro homônimo do inglês Ian McEwan, vai concentrando-se nas pequenas crueldades de um amor não correspondido e como estas vão destruindo as duas partes dessa relação. O amor de Jed pelo professor é tão complicado quanto o de Joe e Claire. Em Amor Para Sempre não há espaço para as sutilezas do ato de amar. A dor e o amor se confundem como sensações parecidas e conflitantes ou complementares, às vezes.

Mas, Amor Para Sempre está longe de ser uma versão GLS de Atração Fatal sem a ‘sopa de coelho’. Enquanto o filme com Michael Douglas estava mais interessado na atração física e nas conseqüências de um momento, a produção britânica tem como foco uma atração (e repulsa) emocional que nunca se aventura no terreno da paixão física, sendo, dessa forma, muito mais doloroso.

A fotografia de Haris Zambarloukos privilegia os tons de verde, formando um contraste interessante com o vermelho-sangue do balão – o que não é nenhuma surpresa, afinal as duas cores são complementares. A sensação de claustrofobia do filme quase sempre em ambientes fechados aumenta ainda mais toda vez que a ação é deslocada para o campo aberto (onde aconteceu o acidente).

Essa é a segunda parceria entre Craig e o diretor. O primeiro filme da dupla foi Recomeçar (lançado diretamente em DVD no Brasil). Naquele filme o ator fazia um papel mais rústico, de um carpinteiro que seduz uma viúva e a ajuda a reencontrar o prazer de viver. Aqui, a presença intelectual é muito mais forte do que a física. É uma sedução mais sutil e psicológica. E Craig não decepciona.

Os personagens de Amor Para Sempre transitam por um mundo quase à parte – um ambiente mais deles do que do resto da humanidade. Parecem muitas vezes extremamente ensimesmados e mais apaixonados por si mesmos do que pelos outros – principalmente a personagem de Samantha. E ainda assim extremamente reais. Um fato raro no cinema dos últimos tempos.

Alysson Oliveira


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