Sal de Prata

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Cátia é uma economista que namora Rudi, um cineasta fracassado. Quando ele morre de ataque do coração, ela encontra vários roteiros deixados por ele. Os amigos do diretor começam a brigar pelos textos, e a moça verá que fazer cinema é mais complicado do que parece.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

20/09/2005

Premiado em Gramado com o Kikito de Melhor Montagem, o longa brasileiro Sal de Prata, de Carlos Gerbase, tem poucos atrativos ao público – só mesmo o elenco global, que inclui Maria Fernanda Candido e Camila Pitanga.

O sal de prata do título é uma substância química utilizada para deixar a película (na qual filmes são rodados) sensível à luz. Porém, com o avanço das tecnologias digitais, esse tipo de produção está cada vez mais ameaçada de extinção. Esse embate entre a nova tecnologia e o cinema tradicional é o centro do drama escrito e dirigido por Gerbase (Tolerância) – ao menos é o que deveria ser.

Essa temática, anacrônica por natureza, pouco interessa ao espectador comum, pelo menos na forma como é tratada neste filme. Os debates em torno do uso ou não do sal de prata fazem do filme mais uma inacessível tese de mestrado do que um filme inteligente sobre um assunto até provocativo. Desta forma, o interesse por esta discussão de Sal de Prata acaba limitado apenas a quem faz cinema.

Para explorar a situação do cinema contemporâneo, segundo sua ótica, Gerbase vale-se de um quarteto de personagens. Cátia (Maria Fernanda) é uma economista de sucesso (como sempre) que pensa em dar um fim no seu namoro com Rudi Veronese (Marcos Breda), um cineasta fracassado. De repente, ele tem um ataque do coração e morre.

Fuçando no computador dele, ela encontra uma série de roteiros que vão despertar a cobiça de amigos cineastas do falecido. Entre eles está Vado (Bruno Garcia), que, além de tudo, dá em cima dela. Outra coisa que incomoda Cátia é o fato de que seu falecido namorado poderia – ou não—ter tido um caso com a estrela de seus curtas, Cassandra (Camila).

Sal de Prata acompanha a entrada de Cátia no mundo do cinema, o que ela sempre evitou. A moça se torna centro da briga entre vários cineastas, que disputam a tapa os roteiros deixados por Rudi. Eventualmente, o roteiro de um mesmo curta será rodado por dois cineastas, cada um representado uma forma de se fazer cinema, a tradicional e a digital.

Muita pretensão para pouco resultado - Com essa premissa, Gerbase tenta explorar a arte como reflexo da vida ou vice-versa. Mas o roteiro de Sal de Prata nunca convence como uma história de amor (seja entre duas pessoas, ou pelo cinema), ou como um retrato da arte de fazer cinema. Os personagens são caricatos e nada humanizados, beirando o ridículo, em momentos risíveis.

O elenco também não ajuda em nada. Maria Fernanda mostra a mesma falta de tato para atuar que já havia ensaiado em Dom – ao menos desta vez o júri em Gramado não foi tão insano a ponto de premiá-la. Camila e Garcia não têm muito que fazer de seus personagens. Breda acaba se mostrando um erro de casting.

Para um roteiro que passou por 14 versões e foi preparado de 2000 a 2004, Sal de Prata soa no mínimo como obra de principiante encantado com o próprio umbigo que obriga o resto do mundo a ver seu trabalho de conclusão de curso mal-orientado.

A pretensão abunda em Sal de Prata, seja em sua auto-indulgência, no excesso de metalinguagem, ou em sua edição pernóstica, dividida em quatro movimentos de música clássica do século XIX - o que foi uma idéia de Giba Assis Brasil, o montador do longa.

A metalinguagem é tão deslocada e excessiva em Sal de Prata, que mesmo profissionais de cinema devem ter dificuldade ou tédio (ou as duas coisas) quando tentarem entender o que está acontecendo. Se Gerbase pensava em falar com o público comum, aquele que compra ingressos de cinema, deveria ter pensado em fazer um filme um pouco mais acessível.

Com seu discurso datado e chato, Sal de Prata presta um deserviço ao cinema nacional. Com sua pretensão e interpretações canhestras, o longa se torna um dos mais fortes candidatos a pior filme sério nacional do ano.

Alysson Oliveira


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança