Memória de Quem Fica

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Sinopse

18 de julho de 1994: uma bomba explode em frente a uma entidade israelense em Buenos Aires. O saldo é de 85 mortos e uma investigação do governo que nunca apontou culpados. Dez cineastas argentinos se uniram para fazer esse longa composto de curtas que abordam a tragédia de alguma forma.


Nota Cineweb

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Crtica Cineweb

06/09/2005

O dia 18 de julho de 1994 foi uma segunda-feira, depois da final da Copa do Mundo dos EUA, na qual o Brasil se tornou tetracampeão, ao derrotar a Itália nos pênaltis. Uma manhã fria em Buenos Aires, com temperatura inferior a 10°, um dia como outro qualquer, não fosse por um atentado contra a AMIA (Associación Mutual Israelita Argentina), uma entidade prestes a completar 100 anos, que deixou um saldo de 85 mortos e vários feridos.

Como diz o prólogo do filme coletivo Memória de quem fica, “sem memória é impossível construir o futuro”. Contando com os esforços de dez diretores argentinos o longa vale mais por sua proposta de fazer uma homenagem às quase cem vítimas da bomba plantada na porta da instituição e a cobrança de uma investigação séria do governo, do que por seu valor cinematográfico. Dessa forma, fora do contexto argentino, o filme perde um pouco de sua força e interesse, mas ainda gera alguma comoção.

Não deixa de ser louvável a estratégia dos produtores, cineastas e todos envolvidos – afinal, o cinema pode ter um grande poder de mobilização, e com Memória... reacende-se uma tragédia que se tentou varrer para baixo do tapete. No entanto, os dez episódios não deixam de ser redundantes e auto-indulgentes.

Contando com nomes de ponta do cinema argentino como Daniel Burman (O Abraço Partido) e Carlos Sorin (O Cachorro), o filme traça caminhos sinuosos e chega sempre no mesmo resultado: as lágrimas. Os curtas são dramas e ‘docudramas’ (histórias ficcionais filmadas como se fossem documentários), e não há nenhum momento excepcional, cinematograficamente falando. Algo parecido com o que aconteceu com o filme 11 Setembro, feito por cineastas de diversas nacionalidades sobre a visão deles sobre os atentados contra o World Trade Center.

Todos os curtas são, até compreensivelmente, carregados nas doses de sentimentalismo – uns mais outros menos. Mas aquela chantagem emocional que ameaça tomar conta de todos os filmes, finalmente se materializa no último, dirigido por Sorin, que nada mais fez do que mostrar fotos de todas as vítimas e terminar o seu curta com a imagem de uma criança, que morreu no atentado. Todos são mostrados sorrindo e aparece a uma inscrição com o primeiro nome deles, criando assim uma relação entre a platéia –já saturada da tragédia – e as vítimas. Em meio a tantos altos e baixos, destacam-se o trabalho de Burman, em que moradores e comerciantes dos arredores da AMIA contam como suas vidas mudaram após o acontecimento; e, o de Alberto Lecchi que mostra a explosão mudando a vida de uma mãe que mora numa região bem distante da capital Argentina. Os demais seguem a exploração dos dramas da família judia-pequeno-burguesa Argentina antes, durante e/ou depois da tragédia. Sem dúvida o atentado de 18 de junho de 1994 deixou marcas em quase todo o mundo – muita gente acredita que o 11 de Setembro é quase um reflexo deles – e o povo argentino deve mesmo cobrar explicações e resoluções de seus governantes. Também se deve bater palmas a todos os envolvidos no Memória de quem fica, mas, mesmo assim, o olhar de quem busca uma obra cinematográfica vai esbarrar no excesso de auto-indulgência.

Alysson Oliveira


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