Procura-se um amor que goste de cachorros

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Sinopse

Depois de ser abandonada pelo marido, a família de Sarah (Diane Lane) coloca na internet um anúncio em busca de um novo pretendente para ela. A condição: gostar de cães. Eis que surge o candidato ideal. Mas antes do final feliz eles terão muito a enfrentar.


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Crítica Cineweb

23/08/2005

A comédia romântica norte-americana a cada exemplar se transforma no gênero mais corruptível do cinema. Qualquer filme que reúna numa mesma cena alguns beijos e meia dúzia de piadas já entra na categoria. Ainda assim, no passado, surgiram grandes exemplares, como Levada da Breca, Jejum de Amor, Harry e Sally, e até o recente Tenha Fé. Mas a regra geral é colocar cada vez mais beijos e cada vez menos piadas engraçadas. O mais recente exemplar do gênero, Procura-se um Amor que Goste de Cachorros, traz um diferencial – que, aliás, não contribui em nada – cachorros fofinhos.

Como diz o letreiro ao final do filme ‘nenhum animal foi maltratado durante as filmagens’, mas não pode se dizer que nenhum deles saiu com sua dignidade intacta. A começar pelos humanos. Diane Lane e John Cusack bem que poderiam ter gastado seu tempo e energia em algo mais consistente e engraçado.

O filme é mais ou menos o que o título gigantesco tenta explicar. Sarah (Diane) foi abandonada pelo marido. Agora sua família, que incluiu o pai (Christopher Plummer) e a irmã (Elizabeth Perkins), querem a todo custo que ela se case novamente. Para isso, depois de mostrar centenas de fotos de amigos pretendentes, resolvem colocar um anúncio na internet em sites de relacionamento. Entre as exigências está ‘precisa gostar de cães’. Porque? Porque cachorros são animais fofinhos que rendem bons momentos em um livro que certamente resultaria num filme. Essa é a única explicação, afinal, os caninos nunca aparecem como algo natural na história, sempre estão deslocados.

Na outra ponta do roteiro está Jake (Cusack), que, como todo herói de produções do gênero, tem uma profissão romântica e fora da realidade: ele constrói manualmente barcos. Depois de um divórcio, um amigo tenta a todo custo encontrar um novo amor para ele. Eis que surge, na internet, o perfil de Sarah.

Fácil descobrir onde tudo isso vai terminar – mesmo com a suposta ameaça do final feliz ser com o pai de um aluno de Sarah, que é divorciado e mulherengo. Mas a previsibilidade está, quase que por excelência, na raiz das comédias românticas – isso não incomoda, afinal, todos sabem o final, o que conta é como vai se chegar lá. E Procura-se um amor... caminha da forma mais sem graça e sem charme possível.

Além da falta de química entre os protagonistas, falta sensibilidade ao roteirista e diretor Gary David Goldberg para transformar situações inusitadas e forçadas em algo com graça e naturalidade. Um dos momentos mais constrangedores é quando Sarah vai a um encontro às escuras, agendado por sua irmã, e quem encontra na mesa à sua espera é seu pai (!). Na mesma categoria incluem-se os parentes de Sarah que querem a todo custo arrumar um novo casamento para ela. Em que década do século XVIII eles estão vivendo? E as inúmeras vezes que Jake assiste a O Doutor Jivago e chora - essa é a parte romântica ou a engraçada?

Um filme que tem um cachorro chamado Madre Teresa está praticamente pedindo para ser esquecido. Por mais que o filme abane o rabo e faça cara de pidão, não merece muita atenção.

Alysson Oliveira


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