Casa Vazia

Ficha tcnica


Avaliao do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 1 votos

Vote aqui


Pas


Sinopse

Um jovem motoqueiro deixa folhetos de propaganda em portas de casas. Volta horas mais tarde, observando aqueles endereços em que os papéis não foram retirados, o que permite saber que não há ninguém. Escolhe um deles e instala-se na casa ou apartamento por um dia ou dois, "pagando" a hospedagem com pequenos consertos e a limpeza do local. Um dia, entra numa mansão imaginando-a desabitada e encontra uma mulher, que fora espancada pelo marido. Cria-se uma ligação de amor.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crtica Cineweb

23/08/2005

O diretor coreano Kim ki-Duk escreveu, produziu, dirigiu e montou este que é seu filme mais pessoal até o momento. Provavelmente, é também o trabalho mais original de uma carreira onde já se somam 12 filmes, em que se observam estilos opostos, como o áspero A Ilha (2000) e o suave (embora intenso) Primavera, Verão, Outono, Inverno...Primavera (2003).

Casa Vazia é uma sutil história de amor, mas é também um caso de amor com o cinema. Kim Ki-duk mostra, aqui, o quanto acredita na câmera. Prova disso é que quase não há palavras neste filme. Os protagonistas, por exemplo, são mudos quase até a cena final e nem por um momento se deixa, por esse detalhe, de acreditar na intensidade de sua história de amor. O que é também um lembrete do quanto o cinema mudo podia ser eficaz e do quanto a falação desenfreada ou o barulho frenético de tantos filmes modernos podem ser inócuos.

Paradoxalmente, mesmo num filme que acredita tanto no olhar, representado por essa câmera que parece onipresente na intimidade de seus personagens, não se revela seus motivos – isso fica por conta da imaginação do espectador, que Ki-duk faz questão de inteligentemente preservar. Não se decifra o que se passa na mente desse jovem, Tae-suk (Jae Hee), que invade pacificamente casas vazias e “paga” sua hospedagem não solicitada com pequenos serviços – conserto de eletrodomésticos, lavagem de roupas, limpeza geral – como um pequeno gênio benfazejo que quisesse provocar a perplexidade das pessoas comuns, presas à rotina e à normalidade do trabalho e das férias.

O anjo solitário encontra sua parceira numa mulher, Sun-hwa (Lee Seung-yeon). As marcas no rosto dela deixam claro o tipo de casamento em que ela está aprisionada. A sugestão de liberdade trazida por Tae-suk mostra-se irresistível.

Na prisão, o rapaz não se abate – treina intensivamente para tornar-se invisível, intrigando seu violento carcereiro, que acha que pode quebrar-lhe o espírito maltratando-lhe o corpo. Assim, Ki-duk cria uma metáfora poderosa das possibilidades do cinema que se escondem mesmo fora do quadro, remetendo a tudo aquilo que o olhar do cinéfilo “vê”, mesmo não estando exatamente ali.

Neusa Barbosa


Deixe seu comentrio:

Imagem de segurana