Três Vidas e Um Destino

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Sinopse

Numa Paris culturalmente efervescente, Gilda Besse encontra duas pessoas a quem amar: o escritor Guy e a enfermeira espanhola Mia. Eles formam um triângulo amoroso perfeito. Porém, com a Guerra Civil espanhola, eles a abandonam para lutar no conflito – o que vai selar de vez o destino de Gilda.


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Crítica Cineweb

16/08/2005

Vale tudo no amor e na guerra. Esse tudo pode atingir proporções enormes para viver um grande amor em tempos de guerra. Hollywood já provou isso uma dezena de vezes, com bons resultados, como se viu em filmes como O Paciente Inglês, Fim de Caso, Por quem os sinos dobram, Doutor Jivago. O que esses filmes têm em comum é o que exatamente falta neste Três Vidas e um Destino: uma sólida base literária.

Quando Graham Greene foi convidado pelo diretor Carol Reed para escrever um roteiro original, o escritor britânico contou na introdução de O Terceiro Homem que precisou primeiro escrever um conto com pouco mais de 100 páginas, antes de partir para o roteiro. Como ele diz, num roteiro é mais difícil desenvolver os personagens, criar a atmosfera, a ambientação e o desencadeamento dos fatos – por isso, com uma obra literária já pronta o roteiro fica mais convincente. E ele era Graham Greene, um dos melhores escritores ingleses. O resultado da parceria rendeu O Terceiro Homem, considerado por especialistas como o melhor filme britânico de todos os tempos.

O roteirista John Duigan (Sereias) não é Greene, e seu Três Vidas... não tem fôlego para se sustentar nem como entretenimento. De todas as falhas do filme – que não são poucas – a maior é o roteiro bobo, com personagens monocromáticos, em situações (tele)novelescas em cenários exóticos e sensuais. O pior personagem do filme é, justamente, o principal, que deveria segurar toda a estrutura, a socialite Gilda Besse, interpretada por uma Charlize Theron.

Em qualquer outro filme, o personagem de Gilda já seria forçado. Uma mulher espirituosa de 20 e poucos anos, rica e destemida que não se importa em viver quantos amores puder com quem quiser. Mas a II Guerra cruza o seu caminho, na época em que vivia na França, e isso vai mudar o seu destino. Não é por acaso que Gilda é um clichê de saias. A começar pelo nome, afinal, supostamente ‘nunca houve mulher como Gilda’ – mas aquela era Rita Hayworth.

No entanto, antes da guerra, Gilda vive um tórrido triângulo amoroso, com o escritor Guy (Stuart Twonsend) e a enfermeira espanhola Mia (Penélope Cruz). Na época, a socialite trabalha como fotógrafa. No entanto, quando a Guerra Civil espanhola estoura, os dois a abandonam para lutar no conflito, e Gilda não perdoa nunca essa traição.

Duigan gosta de usar todos os clichês hollywoodianos de amor em tempos de guerra ao longo do filme, até chegar o seu clímax anticlimático. Embora o filme se ache ousado, o mais longe que consegue é colocar as duas atrizes dançando um tango ou mostrar Penélope seminua, vítima de violência causada por um francês sádico. Cenas depois, Gilda vingará a amiga, num dos momentos mais constrangedores do filme.

Hollywood vem explorando a II Guerra por mais de 60 anos. Nos últimos tempos, o conflito tem se tornado desculpa, muitas vezes cheia de glamour, para romances insossos, esquecendo a verdadeira dimensão do conflito.

Alysson Oliveira


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