Desejo e Obsessão

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Sinopse

Shane (Vincent Gallo (Shane) e Coré (Béatrice Dalle) são sujeitos a uma estranha síndrome, que às vezes os transforma em vampiros. Eles estão em busca de uma cura para o seu apetite fatal, pesquisado pelo médico Léo, marido de Coré.


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Crítica Cineweb

10/08/2005

Com um atraso de quatro anos, chega às telas brasileiras uma das mais inquietantes obras da cineasta francesa Claire Denis. Desejo e Obsessão é um dos exemplos mais refinados da visão da diretora, cuja filmografia sempre preferiu o sensorial ao diálogo ou a psicologia de personagens, traços recorrentes na cinematografia francesa.

Os corpos e o comportamento são os tópicos das imagens que se distanciam das palavras. O gesto, por fim, tem mais eloqüência que o relato. Por essas razões, torna-se muito difícil digerir a obra da cineasta, que usa todos os recursos possíveis para contar uma história repleta de erotismo e desejo.

Trata-se de uma trama vampiresca em que a busca pelo corpo se verte em sangue, que por sua vez é o início de tudo. Longe dos dentes afiados, da sedução por cortejo, Claire encontra um equilíbrio entre o doentio e prosaico, em que o orgasmo, o cheiro, o toque, a possessão levam diretamente os personagens a um estado de completa realização.

Os vampiros são representados pelo ator americano Vincent Gallo (Shane) e pela atriz francesa Béatrice Dalle (Coré). Eles estão em busca de uma cura para o seu apetite fatal, pesquisado pelo médico Léo, marido de Coré. Quanto mais se entende o mundo de Coré, mas o espectador entende o comportamento de Shane, que parece estar em um estado mais primitivo de transformação.

Como um amor canibal, as histórias se complementam superficialmente, enquanto se tenta entender a conexão entre o que se vê na tela. Claire não dá qualquer preferência por um desenrolar linear ou didático. Deixa o espectador apenas com uma Paris mundana, o despedaçar dos corpos, o vermelho de sangue e gestos vazios. Tudo captado pela trêmula câmera digital da diretora.

Para entrar no mundo criado pela cineasta, é preciso antes entender dois pontos fundamentais. O primeiro é o título, incorretamente traduzido. O nome original é Trouble Every Day, deixando claro que é preciso resignar-se, cotidianamente, jã que o dia anterior não solucionou o amanhã. Ao ser colocado no prisma de relações amorosas, estamos a cargo da libido e do desejo, que se voltam para os amantes. A acumulação de violência inconsciente é parte da relação, em um paradoxo de liberdade e dependência.

Por outro lado, há também que se entender como os personagens agem conforme sua paixão. Shane, que ainda está em lua-de-mel, se masturba no banheiro para proteger sua esposa (Tricia Vessey). Nesse ponto, ele se torna tão frágil quanto uma de suas vítimas. Um ponto para o ator Vincent Gallo, que consegue mostrar-se menos depressivo do que o habitual. Ainda que seu estilo blasé pareça apenas pura preguiça.

Rodrigo Zavala


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