A Menina Santa

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Amalia e Josefina são duas jovens amigas, que freqüentam um grupo de estudos de religião. Suas fantasias sexuais se misturam a ansiedade e culpa. Um dia, Amalia é molestada por um homem mais velho, que se encosta nela. Mais tarde, quando ela volta para o hotel em que mora com a mãe, Helena, a moça reencontra o homem - ele é o dr. Jano, um dos médicos que participa de um congresso com sede no hotel.


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Crítica Cineweb

10/08/2005

Neste seu segundo filme, a cineasta argentina Lucrecia Martel lança mais inquietação do que certezas. Aos que esperavam um novo impacto como o de sua estréia, O Pântano (2001), a diretora e roteirista contempla com um relato radicalmente enxuto, aparentemente descarnado de dramaturgia até o osso. Essa postura produz um estranhamento que é, sintomaticamente, o guia para decifrar uma rede de relacionamentos contaminados por uma sexualidade obscura e uma religião delirante e que envolvem duas jovens, Amalia (María Alche) e Josefina (Julieta Zylberberg), o médico dr. Jano (Carlos Belloso) e a mãe de Amalia, Helena (Mercedes Morán, que também atuou em O Pântano).

Lucrecia procura os caminhos do corpo e eles nunca são diretos na atmosfera sempre obscura e sufocante de um velho hotel, onde moram Amalia e sua mãe divorciada, o irmão desta, e onde neste momento se realiza um congresso de médicos otorrinolaringologistas – especialidade ideal para representar esta estranha afasia, esta virtual impossibilidade de falar e ouvir que afeta todos os personagens. Não que eles não falem. Ao contrário, conversam o tempo todo, quase sempre a portas fechadas, não raro sussurrando. Nada de gritos, nada de escândalos. Mas, por baixo da pele, as paixões fervem, clandestinas.

Há um clima proibido sedimentando os relacionamentos, mais pela dificuldade de declarar abertamente suas intenções. Assim, o dr. Jano, respeitável senhor de meia-idade casado e pai longe da família alivia seu desejo encostando-se nas moças, no meio de multidões – uma delas, Amalia, numa tarde em que ela escuta uma apresentação musical.

Amalia, por sua vez, entorpece o compreensível despertar de seu desejo adolescente em aulas de religião, conduzidas por uma bela professora (Mía Maestro, de Diários de Motocicleta) sobre quem, aliás Amalia e a amiga Josefina fantasiam aventuras sexuais. Helena, a mãe divorciada que dirige o hotel, apesar de ser aquela que assume com mais desinibição o próprio corpo, exibido em maiôs na piscina e belos vestidos, oscila entre a mágoa com o ex-marido – que se casou novamente e espera o nascimento de gêmeos – e aventuras com homens casados. No momento, Helena está atraída pelo dr. Jano, ignorando completamente o incidente ocorrido entre ele e a filha.

Optando por uma câmera próxima dos personagens, com cortes às vezes bastante estranhos, a diretora delimita o território de uma batalha infernal, mas se recusa a expô-la explicitamente até o fim. Com essa escolha, define um estilo, nada óbvio, nada redundante, bastante exigente do espectador e certamente corajoso. Muitos a acusarão de omissão. E deixarão a sala de cinema com mais dúvidas do que certezas.

Neusa Barbosa


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