O Castelo Animado

Ficha técnica

  • Nome: O Castelo Animado
  • Nome Original: Hauru no ugoku shiro / Howl's Moving Castle
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Japão
  • Ano de produção: 2004
  • Gênero: Fantasia, Animação
  • Duração: 119 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Hayao Miyazaki
  • Elenco:

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Sinopse

A jovem chapeleira Sophie, de 18 anos, é surpreendida pela grosseria de dois soldados. Salva por um belo jovem, este a leva para voar sobre a cidade, antes de devolvê-la à terra. Mais tarde saberá que se trata de Hauru, um bruxo poderoso e muito vaidoso. Uma bruxa ciumenta das atenções recebidas por Sophie de Hauru vinga-se transformando-a numa velhinha de 90 anos. Ela foge de casa e acaba entrando num castelo que se move sobre pernas mecânicas. É a casa de Hauru, onde ela viverá muitas aventuras junto com o menino Marko e o demônio Calcifer.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

03/08/2005

O fascinante novo desenho animado de Hayao Miyazaki (A Viagem de Chihiro) instaura a liberdade de sua fantasia a partir do cenário físico, criando um mundo híbrido entre o Ocidente e o Oriente. O ponto de partida foi um livro ocidental, escrito em 1986 pela escritora inglesa Diana Wynne Jones. Mas o resultado final é fruto da inventividade excepcional do cineasta japonês, aos 64 anos, o grande mestre da animação mundial, que nem mesmo a moderníssima tecnologia da Disney e outros estúdios americanos conseguem superar.

O segredo de Miyazaki está em voltar seus olhos para todas as direções. Ele é capaz de absorver as influências ocidentais à sua formação, incorporar vantagens da técnica digital (embora ele ainda desenhe à mão, usa-a na pós-produção) e criar histórias sem ter compromisso nem com uma verossimilhança muito rígida nem com papéis muito definidos para os seus personagens. Por conta disso, não se encontra em seus filmes aquele maniqueísmo de bom X mau que domina qualquer desenho animado – e não só os desenhos animados. Assim, assistir a um desenho de Miyazaki torna-se uma experiência emocionante e renovadora, porque nunca se sabe onde ele vai chegar. E quase nada é o que parece.

A protagonista aqui, como em A Viagem de Chihiro, é feminina. Trata-se de Sophie, jovem chapeleira de 18 anos, que vive numa cidade com aspecto de Europa de meados do século XIX. Um dia, andando na rua, é surpreendida pela agressividade de dois soldados e salva pela intervenção de um jovem belo e misterioso, que mais tarde ela saberá que é Hauru, um poderoso bruxo.

Já nesse primeiro encontro, Sophie fica fascinada não só pela beleza como pelos poderes de Hauru, que a leva para um vôo sobre os telhados da cidade. De volta à terra, recebe em sua pequena loja a visita de uma bruxa ciumenta, que está procurando por Hauru. Como vingança pelas atenções recebidas de Hauru por Sophie, a feiticeira transforma-a numa velha de 90 anos. Agravando o feitiço, Sophie será incapaz de contar a alguém o que está ocorrendo.

Agitada pela alarmante transformação e debatendo-se entre os sentimentos de uma adolescente no corpo de uma velhinha, Sophie resolve esconder-se no campo. Ganha a companhia de um saltitante espantalho que, mesmo mudo, dedica-lhe sua inteira devoção. Logo mais, os dois presenciarão a chegada de um bizarro castelo andante. Com um design todo excêntrico, ele se desloca com ridículas pernas metálicas de ave. De todo modo, Sophie resolve entrar nele.

É o castelo do bruxo Hauru, que costuma sair muito, deixando sua casa entregue a dois auxiliares divertidos: o menino Marko, capaz de disfarçar-se em velho improvisando uma barba com seus longos cabelos, e o demônio Calcifer, a chama de fogo que proporciona energia ao castelo movente. Forma-se uma aliança entre Calcifer e Sophie, por solidariedade, já que ele também deseja libertar-se de um feitiço, no caso, de Hauru.

Miyazaki testa os limites estéticos da platéia – afinal, o que é feio ou bonito, bom ou mau? O tempo todo, ele apaga a fronteira entre um e outro a que o público está acostumado, desafiando-o a abrir mão dos preconceitos e embarcar na imaginação. Com sua mistura de invenção e imprevisibilidade, o cineasta quer mesmo surpreender, sacudir os espectadores da monotonia. Ele mesmo com certeza de diverte com isso.

Mesmo no meio da fantasia, Miyazaki encontra um meio de passar um recado pacifista. Este mundo assombrosamente complexo e fascinante, povoado por bruxos e humanos tão enérgicos, está sendo abalado por uma guerra. Esta, sim, pode destruir tudo, bem mais do que os feitiços. O cineasta usou, neste caso, as próprias lembranças de sua infância, quando fugia com sua família dos bombardeios da II Guerra Mundial.

Neusa Barbosa


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