A Identidade Bourne

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Crítica Cineweb

03/02/2003

Não deixa de ser impressionante a capacidade dos escritores e roteiristas americanos em transformar todos os tipos de criminosos mercenários em mocinhos de suas histórias. E, o que é pior, a redenção geralmente vem por meio de uma paixão fulminante ou um pequeno detalhe, como o rosto de uma criança inocente.

De fato, esses pseudo-heróis parecem seguir uma regra ética, apesar de causarem verdadeiros massacres mundo afora. Valores que sempre os acompanham e, de certa forma, relativizam o conceito de terrorismo às avessas. Afinal, só devem morrer aqueles que oferecem perigo à ordem democrática mundial, delimitada pelo país referência: os Estados Unidos.

Em A Identidade Bourne, uma adaptação do romance homônimo de Robert Ludlum (The Bourne Identity), a questão soa tão risível, quanto alguns detalhes inverossímeis da trama. Trata-se da história de Jason Bourne, um agente da CIA resgatado do Mediterrâneo com dois tiros nas costas e, o que é pior, com amnésia. No entanto, mostra-se um perito em uma série de assuntos: domina diversas línguas, é um navegador audaz, um exímio lutador, pressente o perigo, entre outras habilidades incríveis.

O conflito emocional de Bourne, que não entende como adquiriu tantos conhecimentos, ou mesmo para quê, chega a ser divertido. É um claro sinal que Matt Damon, ao contrário de seu personagem - e por que não dizer personagens - não mostra o mesmo talento ou genialidade indomável para papéis que exijam um pouco mais de esforço dramático.

Dado como morto em uma missão fracassada, os agentes da inteligência americana não entendem porque Bourne passa a perambular pela Europa distribuindo sopapos em qualquer um que ofereça perigo. Resultado: é encarado como uma ameaça à imagem dos EUA. O que poderia acontecer se fosse descoberto um assassino mercenário americano causando furor na Europa? Macular a imagem impoluta dos EUA seria o mínimo, nesse ufanismo disfarçado.

A perseguição promovida por seus próprios colaboradores rende ao filme uma série de velozes cenas de corridas de carros, tiros para todos os lados e, claro, intensos combates corpo a corpo, para provar que, de alguma forma, Matt Damon se preparou para encarar o filme. Em vez de ensaiar os diálogos, parece ter se dedicado inteiramente ao treinamento de seis meses de artes marciais e de como usar uma arma de fogo.

O diretor Doug Liman, responsável anteriormente por filmes independentes, como Go (1999) e Swingers (1996), demonstra que pode mudar completamente de gênero, apesar da fraqueza clara de sua nova produção. Tal como Franka Potente, a atriz alemã de Corra, Lola, Corra (1998), que interpreta com muito talento e simpatia Marie, a garota que ajuda Bourne e por quem, obviamente, se apaixona.

Quem não se importar com certas questões geopolíticas, pode simplesmente assistir um filme de ação mediano. Mas, conviver amigavelmente com essa violência mental exercida por um heroísmo tosco, é ser despreocupado demais. Ainda mais em tempos de guerra.

Cineweb-18/10/2002

Rodrigo Zavala


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