A Ilha

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 2 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Em 2019, o mundo foi contaminado e os poucos sobreviventes moram numa fortaleza. A única chance de sair de lá é ser sorteado para ir morar na Ilha, um paraíso intacto. Esse é o sonho de todos, mas Lincoln Six-Echo (Ewan McGregor) descobre que existe algo errado nesse esquema. A única pessoa em quem ele pode confiar é Jordan Two-Delta (Scarlett Johansson).


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

03/08/2005

Abraão Lincoln devia ter saído de uma pré-estréia de A Ilha, novo filme de Michael Bay, quando disse ‘você pode enganar todo mundo por algum tempo, ou algumas pessoas o tempo todo. Mas nunca todo mundo o tempo todo “. O diretor já havia enganado bastante gente com suas bobagens patrióticas como Armageddon (98) e Pearl Harbor (01) e faturado mais ou menos 200 milhões de dólares com cada um dos filmes só nos Estados Unidos. Com Bad Boys II conseguiu enganar algumas pessoas. Mas agora com A Ilha não engana mais ninguém.

O filme é um dos maiores fracassos de bilheteria nos Estados Unidos nos últimos anos. Custando mais de 122 milhões de dólares, em duas semanas não fez nem 20 milhões. Credita-se o fracasso do filme como a gota d’água para Spielberg vender o seu estúdio DreamWorks – co-produtor do filme. A carreira de A Ilha é tão ruim, que alguns fãs lançaram um site para salvar o filme. Mas nem com a ajuda de todos os deuses da net há salvação. O longa é um dos piores a chegar no cinema neste ano. A Ilha parte de uma premissa interessante, que supostamente evitaria as bobeiras explosivas e descerebradas típicas dos filmes de Bay. è possível até fazer comparações a filmes como Blade Runner – O Caçador de Andróides e THX 1138 e Admirável Mundo Novo, graças às alusões do diretor e dos roteiristas no começo da história. Num futuro ascético, insípido e improvável em 2019, Lincoln Six-Echo (Ewan McGregor) acorda de um pesadelo. Ele mora numa espécie de bunker, onde homens dormem em alas separadas das mulheres, mas são incentivados a manterem contatos amigáveis (mas não sexuais) com elas durante o dia.

Todos se vestem de branco e passam o tempo trabalhando em um laboratório, embora não façam a menor idéia do que estão fazendo. Essas pessoas acreditam que houve uma contaminação naquilo que conheciam como mundo, e o último refúgio não-contaminado é conhecido como a Ilha. Os escolhidos para irem para o paraíso são sorteados numa loteria que acontece de tempos em tempos. Claro que o maior sonho de todos eles é ganhar o direito de ir embora. O controle de todos é feito por um médico/cientista Dr Merrick (Sean Bean), um dos sobreviventes da contaminação. Lincoln tem uma melhor amiga, Jordan Two-Delta (Scarlett Johansson), a quem parece amar, não consegue expressar-se com ela sentimentalmente.

O rapaz tem algo a mais do que seus companheiros, ou seja, uma natureza inquisitiva que o levará não só a questionar o Dr. Merrick como também investigar o lugar onde moram. Lincoln acaba descobrindo que eles são clones de pessoas vivas. Tentando fazer uma conexão com a realidade, o longa faz dessa premissa algo que busca eco na discussão sobre o armazenamento de células-tronco. As criaturas funcionam como um back up caso seus 'patrocinadores' (é assim que os seres originais são chamados) precisem de algum transplante ou coisa parecida. Depois que isso é explicado no filme, acabam as especulações científicas e A Ilha se transforma em apenas ‘mais um filme de Michael Bay’.

Perseguições, explosões, atuações ruins, incoerência e ausência de tensão são algumas das características típicas na filmografia desse diretor, que dirige com mão pesada. Em alguns momentos, ele abusa tanto da câmera lenta, da fotografia rebuscada e de uma direção de arte pseudo-sofisticada que as cenas mais parecem comerciais de roupas, perfumes, celulares, carros ou motos.

Por incrível que possa parecer, Eu, Minha Mulher e Minhas Cópias (aquela comedinha com Michael Keaton sobre clonagem) é mais inteligente e divertida do que este A Ilha. Com uma filosofia de ‘clone também é gente’, Bay tentou explorar algo sério e investir na discussão sobre a ética da clonagem. Mas ele não tem talento para lidar com um assunto tão complexo e interessante. Nem os roteiristas Caspian Tredwell-Owen, Alex Kurtzman e Roberto Orci souberam desenvolver a história que inventaram. No fim, A Ilha já não engana mais ninguém, nem mesmo seus personagens.

Alysson Oliveira


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança