Filhote

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País


Sinopse

Pedro é um dentista homossexual que vive em busca de prazer. Quando sua irmã vai para a Índia, ela deixa o filho de 11 anos para ele tomar conta. O problema maior acontece quando a irmã é presa no Oriente e a avó paterna do garoto não aceita que seu neto seja criado por um gay.


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Crítica Cineweb

27/07/2005

Apesar do título inusual, que pode levar a crer que se trata de um filme para crianças ou um documentário do canal Animal Planet, Filhote chama a atenção pela singularidade de seus personagens. O diretor espanhol Miguel Albaladejo, cujas obras anteriores passaram despercebidas pelo público brasileiro, apesar do êxito na Europa, nos traz um preciso e detalhado retrato de uma das mais bem organizadas comunidades gays: a dos se que autodenominam “ursos”.

Para variar, trata-se de mais um movimento que nasceu nos Estados Unidos, uma espécie de contracultura homossexual, que se opõe ao estereótipo comportamental do gay musculoso. Da década de 80 até hoje, diversas cidades pelo mundo começaram a organizar festas privadas, as chamadas Bear Hugs ou Play Parties, em que só os ursos “fofinhos”, como se diz também, podiam entrar . E na Espanha não foi diferente, quando os rapazes mais amplos, por assim dizer, levantaram as suas bandeiras contra os adoradores de ginástica.

Albaladejo soube explorar bem isso e, sem falsos pudores, já irrompe a primeira cena com um trio experimentando a satisfação de um menage à trois vespertino. Tudo tem que acabar logo porque Pedro (o excelente José Luis Garcia) está para receber sua irmã em casa e não quer deixar uma má impressão. Quando ela chega, diz que viajará para a Índia com seu namorado hippie. Assim, Pedro deverá cuidar de seu pequeno sobrinho Bernardo, enquanto ela se embriagará com a energia do rio Ganges e com a substancial quantidade de entorpecentes que espera encontrar por lá.

Assim, é natural que a delirante vida sexual de Pedro seja ameaçada pela presença da criança, transformando sua vida. Os problemas, no entanto, realmente começam quando chega a notícia que a mãe do garoto foi presa e passará bons anos em um presídio indiano. Os dois, portanto, deverão se entender para viver em harmonia.

A história seria extremamente previsível se a competência de Albaladejo não fizesse Filhote, um dos filmes mais pessoais de sua carreira, transitar do drama à comédia cena a cena. Sensível, divertida e algo melancólica, desenrola-se também como um melodrama daqueles que fazem o espectador angustiar-se com os infortúnios dos protagonistas. Livrando-se de preconceitos, a produção consegue ser fiel ao que quer retratar, sem estereótipos ou clichês. Exceto, claro, o final trapaceiro, que extrai boa parte da mensagem.

Rodrigo Zavala


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