Sin City - A Cidade do Pecado

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Sinopse

O desenhista Frank Miller e o cineasta Robert Rodriguez unem suas forças para trazer para o cinema uma versão fiel da famosa graphic novel de Miller, Sin City. O enredo parte de três histórias de Miller - A Cidade do Pecado, A Grande Matança e O Assassino Amarelo, unindo histórias de um policial que protege uma garota; um ex-boxeador em busca de vingança contra a morte de sua amada e um assassino pedófilo.


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Crítica Cineweb

27/07/2005

A história sai diretamente da famosa graphic novel de 1991, de Frank Miller – desenhista que reinventou Batman (de Bob Kane) em O Cavaleiro das Trevas, e ele mesmo criou Elektra, personagem que ganhou vida própria do herói Daredevil (Demolidor). Virou filme graças à adrenalina de Robert Rodriguez, o melhor amigo de Quentin Tarantino, capaz tanto de atrações sangüíneas como O Mariachi e Um Drink no Inferno como da franquia infantil Spy Kids.

Desta inesperada associação de talentos, entre Miller e Rodriguez, saiu o melhor resultado de uma adaptação de histórias em quadrinhos dos últimos anos, com justiça vencedor de um troféu de melhor tratamento visual no Festival de Cannes 2005, em que participou da competição oficial. “Adaptação”, aliás, é uma palavra renegada por Rodriguez, aliás com muita razão. O que se vê na tela é a tradução literal da graphic novel de Miller, quase quadro a quadro, palavra por palavra.

A fidelidade canina ao original foi, com certeza, o que atraiu Miller ao projeto. De quebra, ele assina como diretor, deixando a Rodriguez os créditos da filmagem e da edição. Assim sendo, não foi nem mesmo escrito um roteiro. O filme partiu de três histórias de Miller - A Cidade do Pecado, A Grande Matança e O Assassino Amarelo e incorporou seus diálogos e situações. Quentin Tarantino, o fiel amigo de Rodriguez, também colabora como diretor especialmente convidado, conduzindo uma das seqüências mais emblemáticas do tipo de humor que todos os envolvidos aqui adoram: aquela em que o o durão Dwight (Clive Owen) guia um carro cheio de cadáveres e um deles, Jackie Boy (Benicio del Toro), começa a falar com ele.

O primeiro desafio vencido por Rodriguez foi convencer Miller a embarcar na idéia mesma de fazer o filme. A partir de seu estúdio, sintomaticamente batizado de Troublemaker (criador de caso), em Austin (Texas), o diretor deflagrou uma caça implacável a Miller, com tanta teimosia que conseguiu um contato pessoal com o desenhista. Nesse encontro, num bar de Nova York, Rodriguez chegou munido de um laptop contendo cinco minutos de uma seqüência (a mesma que agora abre o filme, numa outra versão), naquela altura feita a toque de caixa, tendo como protagonistas o próprio cineasta e sua irmã, Patricia Vonne. A qualidade da cena, toda em preto-e-branco com um único detalhe vermelho, um vestido, convenceu Miller a deixar Rodriguez tocar o projeto.

Se o desenhista ainda tivesse alguma dúvida sobre a lealdade de Rodriguez, um incidente ocorrido uma semana antes do início das filmagens a eliminaria. O Directors’ Guild of America (DGA), o poderoso sindicato dos diretores dos EUA, avisou Rodriguez de que ele e Miller não poderiam dividir a autoria do filme, como pretendiam. Isto seria permitido apenas a um dos dois e este deveria ser um associado de seus quadros – o que Miller certamente não era. Rodriguez não teve dúvida: saiu do DGA, o que lhe custou a perda de um outro trabalho. Ele já tinha aceitado dirigir a ficção científica John Carter from Mars para a Paramount, mas este estúdio só trabalha com diretores sindicalizados.

O arrojo visual de Sin City – A Cidade do Pecado começa numa filmagem feita com câmeras digitais Sony HFC 950, em cores – o preto-e-branco foi introduzido digitalmente na pós-produção. Os atores foram filmados todos com seu figurino e maquiagem (que, no caso de Mickey Rourke, implicava numa aplicação diária de três horas), em cenários neutros de fundo verde, nos quais posteriormente inseriram-se digitalmente os contornos da cidade de vício e crime. Um universo inteiramente virtual, exceto pelo bar de Kaddie, que foi construído como um cenário de verdade.

Entrar no universo de Sin City não será fácil para aqueles não habituados às suas ruas tortuosas e sujas, habitadas só por durões, mulheres fatais, policiais corruptos e, eventualmente, uma garotinha inocente – como Nancy Callahan (Jessica Alba), que desperta a lealdade do último tira honesto da cidade, Hartigan (Bruce Willis). É um mundo brutal e masculino, na esteira dos instintos primais das histórias de detetives de Raymond Chandler, Mickey Spillane e Dashiell Hammett, em que as mulheres têm pouco a fazer, exceto se mostrarem sexies e se defenderem com a mesma fúria que os homens. Tanta violência, ainda que gráfica, não agradará a todos os paladares.

O total controle sobre o resultado aqui obtido é a revanche de Frank Miller, que algumas vezes antes viu escapar de suas mãos o destino de suas criações – caso do personagem RoboCop, do qual ele foi co-autor, mas cujas encarnações cinematográficas lhe escaparam. Embora seja o autor dos roteiros de RoboCop 2 e RoboCop 3, ambos foram severamente reescritos à sua revelia. Ironicamente, uma adaptação ligeiramente menos fiel de Sin City teria certamente uma vantagem: uma adequação mais equilibrada à dramaturgia do cinema, onde pesa muito mais a unilateralidade do mundo das HQ, inclusive pela duração de duas horas. Este reparo, é claro, não vem pesando nas avaliações dos quadrimaníacos. Não é à toa que duas seqüências já estão na boca do forno, a primeira delas, em cima da história A Dama Fatal, prometida para o verão de 2006.

Neusa Barbosa


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