Água Negra

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Sinopse

A protagonista é Dahlia Williams (Jennifer Connelly), mulher separada que quer manter distância do ex-marido (Dougray Scott), encontrando um bom lugar para viver com a filha pequena, Ceci (Ariel Gade).


Por insistência de um corretor cheio de lábia (John C. Reilly), acaba aceitando alugar um apartamento num prédio meio caído, mas que fica bem perto de uma escola boa para a filha. Mas os problemas do edifício começam a piorar. A umidade nas paredes é cada vez maior e Dahlia acaba tentando encontrar o morador do apartamento acima do seu. Apenas para descobrir que se trata de um apartamento aparentemente abandonado e de cujas torneiras estranhamente abertas jorra uma misteriosa água negra.



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Crítica Cineweb

13/07/2005

Primeira incursão em Hollywood do diretor brasileiro Walter Salles coloca-o à frente de uma história de suspense, refilmagem de uma obra de 2002, dirigida pelo japonês Hideo Hakata (de O Chamado). Um filme um tanto estranho em sua filmografia, a começar pelo tema. A protagonista é Dahlia Williams (Jennifer Connelly), mulher separada que procura manter distância do ex-marido (Dougray Scott), encontrando um bom lugar para viver com a filha pequena, Ceci (Ariel Gade).

Por insistência de um corretor cheio de lábia (John C. Reilly), acaba aceitando alugar um apartamento num prédio meio caído, mas que fica bem perto de uma escola boa para a filha. Então, os problemas do edifício começam a piorar. A umidade nas paredes é cada vez maior e Dahlia acaba tentando encontrar o morador do apartamento acima do seu. Apenas para descobrir que se trata de um apartamento aparentemente abandonado e de cujas torneiras estranhamente abertas jorra uma misteriosa água negra.

A primeira idéia a abandonar é que se trate de um filme de terror. Aliás, quem procurar aqui as emoções fáceis do gênero, com membros mutilados e sangue jorrando em cada fresta, vai sair decepcionado. Porque o filme de Salles atinge o máximo de sutileza, no que, com certeza, foi auxiliado pelo fato de o ponto de partida ser um filme japonês.

É um suspense psicológico, fixado num mundo intensamente feminino e também doloroso, onde os homens são intrusos, desatentos, omissos e muito raramente protetores (um vislumbre desse traço apenas no advogado excêntrico vivido por Tim Roth). E aí, também, desafia a convenção do gênero, massivamente dirigido ao universo masculino e adolescente.

O centro da trama está em relações familiares desfeitas – a de Dahlia e do marido, disputando a guarda da filha; no passado doído de Dahlia, envolvendo seus pais; e no da menina morta, Natasha Rimsky (Perla Haneu-Jardine), o elemento sobrenatural que traz toda a perturbação e medo a estas vidas.

É um mundo extremamente solitário, dolorido, quase monocromático – uma sensação captada com perfeição pela fotografia quase em sépia de Affonso Beato, um dos três brasileiros envolvidos nesta produção, além de Salles e do premiado montador de Cidade de Deus, Daniel Rezende.

Mesmo não sendo claramente um trabalho autoral, as marcas do diretor estão em toda parte, em favor de um resultado digno. O cuidado na interpretação dos atores é uma delas - até Dougray Scott se salva, embora seja inegavelmente a ponta fraca do elenco. Outro ponto é um foco verossímil nos dilemas humanos, com inserção no dia a dia, o que não é tão usual em suspenses – neles, as pessoas parecem estranhamente deslocados de uma vida real, como zumbis. Aqui não. O fato de Dahlia e Ceci serem tão reais e seu afeto tão palpável é o que torna seu drama sobrenatural tão tocante.

Os efeitos especiais, quase sempre ligados à água, são muito convincentes. Por causa dessas histórias de Hideo Nakata, pode-se aliás passar a ter medo de abrir uma simples torneira. Ou de um vazamento no teto – o que, convenhamos, é mesmo um pesadelo, mesmo sem qualquer ligação com ocorrências sobrenaturais. Água Negra é um filme angustiante. E isso é um elogio.

O que não é típico de Walter Salles – algumas redundâncias no roteiro, que transbordam em algumas cenas de explicações a mais, alguns excessos de trilha sonora. Sabe-se que o diretor não teve a última palavra em todos os aspectos, como o corte final. É visível, então, que houve alguma interferência do estúdio produtor – mas nenhuma, felizmente, arrebenta o filme. Ele mantém a dignidade e seu clima estranhamente melancólico perdura na retina um bom tempo depois de terminada a projeção.

Neusa Barbosa


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