A Herança de Mr. Deeds

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Crítica Cineweb

03/02/2003

Há uma linha divisória muito fina nas comédias americanas que separa o humor inteligente das piadas rasteiras e infames. A nova produção estrelada pelo ator Adam Sandler é um exemplo clássico dessa premissa. A Herança de Mr. Deeds consegue não apenas provar que a fronteira da bobagem pode ser facilmente ultrapassada, como também mostra que entre o joio e o trigo, alguns diretores, como Steven Brill, optam pelo joio.

Baseada no clássico de 1936 de Frank Capra, vencedor do Oscar, O Galante Mr. Deeds (Mr. Deeds Goes to Town), o filme é uma farofa de situações incoerentes, com pouquíssimo senso de humor. Para piorar, os personagens, que poderiam ser mais bem trabalhados, são tão distantes de realidade, que se torna embaraçoso pensar em ter qualquer identificação com eles.

No topo da lista está Adam Sandler, também produtor executivo do filme, que interpreta Deeds, dono da única pizzaria em Mandrake Falls, uma cidade provinciana em New Hampshire. Sua vida se transforma ao descobrir que é dono de uma fortuna calculada em U$ 40 bilhões. Como não tem apego a nada e quer apenas encontrar uma namorada, rapidamente o vilão, Chuck Cedar (Peter Gallagher), quer passar o caipira para trás e ficar com a bolada.

E quem já acompanhou algum filme de Sandler percebe que a única diferença entre seus personagens é a situação em que ele se encontra. Seja em O Paizão (1999), Afinado no Amor (1998) ou Little Nick - Um Diabo Diferente (2000), o ator sempre prima por personagens atrapalhados, mas "boa gente". Essa diminuta versatilidade é no mínimo intrigante, já que o ator era uma das atrações do programa humorístico Saturday Night Lives.

De resto, um dos destaques da nova produção é a presença de Winona Ryder no papel de uma jornalista sensacionalista, que tenta conquistar o rapaz para conseguir um furo de reportagem. Depois de tantos incidentes em sua vida pessoal, inclua-se aí a acusação de roubo, a atriz volta muito bem e, quem diria, com carisma. Talvez seja a única personagem a criar empatia com o público. É um pena que o filme não coopere.

Não deixa de ser interessante a mensagem estampada nos cartazes do filme: "Ele tem algo que o dinheiro não pode comprar". Mas bem que um pouco mais de capital poderia ajudar na hora de contratar um roteirista com idéias, no mínimo, mais originais.

Cineweb-18/10/2002

Rodrigo Zavala


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