Guerra dos Mundos

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País


Sinopse

Num dia como outro qualquer, a Terra é atacada por alienígenas. Ray (Tom Cruise) tenta fugir da destruição e salvar a vida de seus dois filhos.


Extras

Disco de Extras:

Refazendo a Invasão

O Legado de H. G. Wells

Steven Spielberg e o Clássico "Guerra dos Mundos"

A Família Unida

Pré-Visualização

Diário de Produção

Desenhando o inimigo

A Trilha Sonora de "Guerra dos Mundos"

Não Estamos Sozinhos


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

29/06/2005

Tem uma certa dureza, nenhum senso de humor e parece um tanto datada esta estranha adaptação do livro de 1898 de H.G.Wells. O que não deixa de causar espanto, dada a assinatura de Steven Spielberg na direção e da Industrial Light & Magic de George Lucas nos efeitos visuais. A sensação é que esta aventura entre a ficção científica e o filme-catástrofe procura uma legitimidade e uma grandiloqüência que faziam sentido em A Lista de Schindler ou O Resgate do Soldado Ryan mas aqui estão evidentemente fora de lugar.

De repente, parece uma colagem de outros filmes ou mesmo uma má imitação que Spielberg faz de si mesmo. É possível pensar em Parque dos Dinossauros na seqüência em que os alienígenas vasculham um porão, como se fossem velociraptors sob um design retrô. Há um momento Titanic, também, no ataque dos invasores do espaço a uma balsa lotada de passageiros – e chega-se a pensar que um tubarão emergirá da água a qualquer instante.

Por que revisitar o medo, que é o grande tema desta história? Ele ficou mais próximo dos americanos depois do ataque às Torres Gêmeas. E, para a maioria dos americanos, estrangeiros como os iraquianos e os afegãos são tão desconhecidos e imprevisíveis como alienígenas. Os aliens são desde sempre uma fixação de Spielberg, tratada com maior (E.T. – O Extraterrestre) ou menor felicidade ( A. I. - Inteligência Artificial) e sem dúvida neste filme surpreendentemente esquemático.

Desde o início, fica evidente a dificuldade de criar uma empatia com o herói Ray Ferrier (Tom Cruise) – nem em seu momento A Escolha de Sofia, quando o filho (Justin Chatwin) insiste em juntar-se aos soldados, consegue nos comover. É claro também que a história remete o tempo todo a valores familiares, embora sejam um tanto confusos. O que Spielberg quer nos dizer ao colocar seu protagonista como um trabalhador das docas, que não viola o horário de trabalho estabelecido pelo sindicato? Provavelmente, para permitir que a platéia o identifique como o símbolo do homem comum. E para insinuar mais tarde que a esposa (Miranda Otto, subaproveitada pela trama) o trocou por alguém mais fino e endinheirado, capaz de pagar a escola de seus próprios filhos. Esse tipo de ressentimento do macho médio contra a ex-esposa é apenas um dos muitos truques baratos do roteiro.

Há uma procura do discurso edificante, que atinge o ápice na fala final – que menciona que “não nascemos em vão”. Em compensação, o filme falha justamente no que é o seu centro. Falta uma real identificação deste pai (Cruise) com seus filhos (Justin Chatwin e Dakota Fanning). Nunca se acredita que ele realmente está junto deles, defendendo-os contra o perigo mortal dos invasores. Numa das interpretações mais monocromáticas de sua carreira, Cruise parece estar sempre cumprindo uma formalidade. O trio, aliás, entra num tom histérico quase o tempo todo e seus conflitos e motivações permanecem inexplicados e, por isso, inconsistentes.

Por conta disso, ficam deslocadas as seqüências de ação – e várias delas são mesmo espetaculares. Uma delas no início, em que o céu é dominado por um estranho fenômeno meteorológico, provocando pane em todos os carros, antes que o chão arrebente para fazer surgir enormes geringonças de grande poder letal. A seqüência do porão, com a participação de Tim Robbins, tem sua adrenalina. Algumas cenas são surpreendentemente respingadas de um toque trash: como na captura dos humanos numa engrenagem sanguessuga. Numa cena em que o carro onde viajam Cruise e seus filhos é cercado por uma multidão desesperada, a lembrança vai pelo rumo de A Hora dos Mortos Vivos, com a vantagem para George Romero de que seu filme não se levava a sério como este.

Não dá certo ficção científica com mensagem, como é o caso aqui. Diante da avassaladora invasão da Terra por ETs armados e assassinos implacáveis, a história remete a uma reconciliação da família partida, embora não chegue às últimas conseqüências (afinal, a esposa está grávida do segundo marido). Mas é preciso uma volta à pátria-mãe para que a vida possa seguir como antes.

Felizes foram os ouvintes daquela célebre audição radiofônica desta história em 1938, por Orson Welles. Apesar do pânico que causou em alguns, todos certamente puderam imaginar alienígenas menos parecidos com insetos e realmente convincentes como espécie de inteligência superior à nossa, como sugere o texto original do escritor H.G. Wells.

Neusa Barbosa


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