Lila Diz

Ficha técnica


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País


Sinopse

Nada mais será o mesmo depois que se muda para um bairro árabe da periferia de Marselha uma bela mocinha loura, Lila (Vahina Giocante). Todos os rapazes se apaixonam por ela mas ela só fala com o tímido Chimo (Mohammed Khouas), a quem conta aventuras ousadas e fantasias sexuais incríveis.


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Crítica Cineweb

20/06/2005

Sexo nunca foi tão verbal quanto na boquinha suja de Lila (Vahina Giocante). Cabelo, rosto e corpo de anjo, esta visão loura de 16 anos desembarca numa periferia de população de origem árabe em Marselha. Olhar atrevido, porte de princesa, ela desfila pelas ruas estreitas em sua bicicleta e não dá bola a ninguém. É o que basta para tirar o sossego da rapaziada local.

Aumentando a obsessão geral por Lila, a moçada não tem mesmo muito o que fazer. Os amigos Chimo (Mohammed Khouas), Mouloud (Karim Ben Haddou) e sua turma passam o dia todo na rua, desempregados, só vendo o sol e a moça passarem. A tensão só pode crescer.

O que os rapazes não sabem é que nem todos eles são invisíveis para ela. Chimo, o mais quieto, que tem mania de escrever seus pensamentos num caderno, tornou-se seu amigo, secretamente. É para ele que ela desfia um número impensável de ditos chulos, aventuras carnais, pensamentos ousadíssimos para alguém de sua idade. Impressionado e atento, Chimo nunca se choca com as palavras fortes e o comportamente imprevisível de sua musa. Mesmo uma aparição tão pública e impossível de não notar, ela se torna o segredo mais bem-guardado de Chimo.

Um exemplo cristalino desse erotismo ao mesmo tempo aberto e velado está na cena em que os dois desfilam pela região do porto a bordo de uma bicicleta, numa intimidade profunda que escapa ao olhar desatento dos passantes. Da mesma maneira, ela mostrara só para ele um detalhe de sua anatomia, sem que ninguém notasse, à luz do dia, na praça repleta de brinquedos infantis.

Chimo está a ponto de explodir. Não sabe se sua musa pratica tudo o que diz com outros homens. O fato é que seus relatos picantes só fazem atiçar seu desejo. A simples visão da menina, porém, está enlouquecendo outros, como seu amigo Mouloud. Lila virou uma idéia fixa, um troféu. Tanta obsessão promete conflitos.

O segundo filme do diretor libanês Ziad Doueiri, baseado no livro autobiográfico do escritor Chimo, tem um frescor inegável e respira uma sinceridade completa na pele de seus personagens. Talvez apenas se preocupe em explicar demais na conclusão da história. Mais importante do que esse pequeno deslize, no entanto, é que consegue estabelecer a essência maior de sua história - é pela palavra que se constrói o mundo.

Uma curiosidade sobre o cineasta, que trabalha entre a França e os EUA, é que se iniciou sob as asas de Quentin Tarantino, como câmera-assistente em filmes como Cães de Aluguel, Pulp Fiction - Tempo de Violência e Jackie Brown. Seu filme de estréia como diretor foi Beirute-Oeste (1998), selecionado para a 23a. Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

Neusa Barbosa


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