Contracorrente [2004]

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País


Sinopse

O sul dos EUA é o palco desta história que alcança proporções míticas ao falar de conflitos familiares. Chris (Jamie Bell) leva uma vida tumultuada com o pai (Dermot Mulroney) e o irmão caçula (Devon Alan) até a chegada do tio (Josh Lucas), um ex-presidiário que veio reclamar a herança que não recebeu.


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Crítica Cineweb

15/06/2005

Contracorrente é o terceiro filme do diretor norte-americano David Gordon Green a chegar nos cinemas brasileiros. O trabalho anterior, o excelente Prova de Amor (02), foi lançado direto em DVD, enquanto o trabalho de estréia George Washington (2000) continua inédito. Embora a filmografia do cineasta seja breve, ele conseguiu criar uma marca autoral própria – algo raro no cinema norte-americano contemporâneo.

Os filmes de Green estão para o cinema assim como os livros do escritor William Faulkner (1897-1960) estão para a literatura. Ambos conseguem traduzir em imagens e palavras o espírito que impera no sul dos Estados Unidos. É um ambiente árido e parado no tempo, em meio a uma civilização que só existe naquele lugar, habitado por pessoas estranhas. Em obras como O Som e a Fúria e Luz em Agosto, o escritor explora o que há de mítico e etéreo naquela região. O mesmo acontece em Contracorrente e mesmo Prova de Amor. O cineasta e roteirista, como Faulkner, pinta uma história com tintas locais para compor um quadro de relevância universal.

Aos poucos, o roteiro escrito por Green e Joe Conway e baseado num texto de Lingard Jervey, começa a se abrir para temas universais que culminam em dois conflitos básicos: a disputa entre dois irmãos por uma herança e o choque entre pai e filho. Tudo isso sem deixar de lado o eixo central, que é a história da passagem para o mundo adulto de Chris Munn (Jamie Bell, de Billy Elliot).

Chris leva uma vida melancólica ao lado do pai John (Dermot Mulroney) e do irmão menor Tim (Devon Alan). Desde o começo, Green mostra que o local onde essas pessoas moram é estranho – mas a família é mais ainda. O pequeno Tim, por exemplo, tem um distúrbio emocional que o impede de comer direito – embora ele consiga engolir barro e tinta. A família vive isolada numa fazenda, tendo pouco contato com o mundo exterior, onde Chris é visto como um jovem fora da lei.

A chegada de Deel (Josh Lucas), ex-presidiário e irmão de John, irá mudar a vida da família – para pior. Ele veio reclamar uma herança deixada pelo pai, um pacote cheio de moedas de ouro. Esse elemento entra com uma função mítica na história, relacionado à morte, à perda, ao azar. Mas isso não impede Deel de reclamar aquilo que acha ser seu direito.

Contracorrente é um barril de pólvora anunciado, e seu pavio é consumido a cada cena até uma explosão que dá novo fôlego à narrativa. Green aproxima a cada momento o seu filme do gótico do sul dos Estados Unidos. Suas opções de câmera, efeitos e a fotografia de Tim Orr (constante colaborador do cineasta) criam uma atmosfera e imagens bonitas. A trilha sonora minimalista de Philip Glass ajuda a criar um clima de mundo à parte num pesadelo real.

Muitos dos movimentos de câmera e edição remetem à linguagem típica dos anos 70 e ao cinema de Terrence Mallick, que é um dos produtores de Contracorrente. Tanto os zooms e imagens congeladas denunciam um período deixado para trás no cinema, que Green tanto atualiza quanto homenageia. Isso já começa com o logotipo dos anos 70 da United Artists abrindo o filme – ao invés da vinheta atual.

Algumas palavras não podem ser usadas à exaustão que acabam perdendo a sua força. "Visionário" é uma delas. Mas não há termo melhor para descrever Green e o seu cinema. Antes mesmo de chegar aos 30 anos, o diretor já criou a sua marca. E seu próximo trabalho promete. Será a adaptação do romance A Vida Secreta das Abelhas, que se passa no sul dos Estados Unidos e é povoado por tipos estranhos.

Alysson Oliveira


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