Conversando com Mamãe

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País


Sinopse

Quarentão fica desempregado e seu casamento entra em crise. Uma saída possível parece ser a venda do apartamento em que mora sua mãe. Mas a velhinha não só não quer sair como anuncia ao filho uma novidade: depois de muitos anos viúva, arranjou um namorado.


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Crítica Cineweb

09/06/2005

É uma comédia, embora com momentos dramáticos, e também uma crônica sobre a deterioração da classe média argentina em anos recentes. Mas muito de leve. O centro está mesmo no relacionamento entre o quarentão recém-desempregado Jaime (Eduardo Blanco, de O Filho da Noiva) e sua mãe de 82 anos (a ótima China Zorrilla). Já muito longe da hora de manterem um conflito de gerações, os dois vão discordar, afetuosa mas firmemente, em torno de dois fatos cruciais: a venda do apartamento dele, em que mora a mãe, e o namoro da velhinha com Gregório (Ulises Dumont), aposentado 13 anos mais jovem do que ela.

As longas conversas entre mãe e filho, espinha dorsal da história de Santiago Carlos Oves (também o diretor), na verdade são o melhor de tudo. Há espírito, afeto e um humor cínico bem ao gosto argentino. A mãe é descendente da longa linha de mães cinematográficas hispânicas de Pedro Almodóvar. Ela é dona do tempo e das manipulações e mantém em suspenso a nora (Silvina Bosco) que, desesperada para manter ao menos um pouco do status perdido, insiste que o marido venda o apartamento em que mora a mãe. Mas ela se recusa terminantemente.

A pretexto de convencer a mãe desta venda, que pode ser sua salvação financeira, o filho visita-a com bem mais freqüência do que em seus dias de sucesso profissional, quando mal lhe telefonava. Como toda mãe do mundo, ela o cobra por essas contas passadas, pela decepção de ter ficado tantos dias cozinhando para ele, que nunca tinha tempo de comer com ela. Agora, o tempo sobra para Jaime e lhe dá oportunidade de uma rara redescoberta do próprio passado e de sua mãe, que, contra sua expectativa, foi capaz de arrumar um namorado.

E não um namorado qualquer: um autodenominado “anarco-aposentado” que gosta de freqüentar manifestações de rua, em pleno auge da crise monetária argentina, e de frases feitas, que a namorada repete para o filho incrédulo. Um aposentado que ela conheceu ao surpreendê-lo roubando os restos de comida que ela deixava aos gatos de rua – outro sinal da penúria das aposentadorias sul-americanas.

Mesmo colocando esses detalhes sociais como pano de fundo, o filme nunca se propõe a discuti-los de verdade. Opta claramente por um registro sentimental, em torno desse quarentão que procura se reinventar recorrendo ao passado, à tradição, representados por sua mãe – uma escolha reforçada pelos emotivos flashbacks em preto-e-branco que remetem à infância de Jaime com sua mãe. É um filme simples e sem pretensões que procura um público igual.

Neusa Barbosa


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