Trem da Vida

Ficha técnica


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Sinopse

Em 1941, a comunidade judaica de uma aldeia da Europa Oriental cria um plano original para escapar à iminente invasão dos nazistas; arranja um trem, disfarçando-o como comboio de prisioneiros de Hitler, coloca uniformes do III Reich em dois dos seus que falam um pouco de alemão e escapa pelas ferrovias, tentando enganar os perseguidores que, certamente, os matarão se souberem da tramóia.


Extras

Áudio: Dolby Digital 2.0
Legendas: Português, Espanhol
Formato de tela: Fullscreen 1.33:1
Região: 4


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

09/06/2005

Roberto Benigni acabou obtendo três Oscar e a notoriedade mundial por ter criado situações cômicas numa história que trata do Holocausto, em A Vida é Bela. Mas esta produção independente romena, feita aproximadamente na mesma época, tratou do tema com mais criatividade e revestiu de profundidade e delicadeza o seu senso de humor.

Radu Mihaileanu, o diretor romeno, tem um aval indiscutível para não ser acusado de pró-nazista - ele é judeu. Assim, trafega com mais naturalidade ao contar a história de uma comunidade judaica, num vilarejo da Europa Oriental, que decide escapar ao cerco de Hitler, em 1941. A saída, ironicamente, é sugerida pelo louco da aldeia, Schlomo (o excelente Lionel Abelanski): arranjar um trem, disfarçando-o como um veículo de deportação nazista, para enganar os verdadeiros perseguidores e salvar seus ocupantes.

Em circunstâncias tão extremas, a voz daquele sempre tido como maluco acaba soando como sensata, até porque ninguém tem idéia melhor. A comunidade junta seus tostões, desafiando o pão-durismo de alguns, arranja o trem, pinta-o e forja os uniformes nazistas para os dois judeus que melhor falam o alemão e que se farão passar pelos condutores do trem - o que só aceitam depois de devidamente intimados pelo próprio rabino local (Clément Harari).

Uma vez posta em prática a fuga mirabolante, ninguém sabe muito bem para onde ir - afinal, para onde fugir, na Europa ocupada daqueles dias? Mas sobreviver é preciso. Nessa viagem, o próprio confinamento impõe mudanças imprevistas. Surgem romances proibidos entre filhos de famílias de condições econômicas muito diferentes. Um rapaz é seduzido pela ideologia comunista e inicia a revolta e a doutrinação de outros companheiros. Os próprios pseudo-nazistas são acusados pelos demais de estarem levando muito a sério seus papéis, gritando como verdadeiros adeptos de Hitler.

A realidade externa também espreita de perto. Um grupo da Resistência acompanha atentamente os movimentos deste que parece mais um trem de extermínio e planeja um atentado a cada uma de suas paradas. Um momento hilariante é quando os resistentes assistem, atônitos, a todos os ocupantes do trem cumprindo um ritual judaico ao ar livre, ao anoitecer. Afinal, o que está acontecendo aqui? São dias de loucura e nada como um encontro com os nazistas reais para lembrá-lo.

Ao ser apresentado na 22ª Mostra Internacional de Cinema, em 98, o filme foi unanimidade, vencendo o prêmio do público e da crítica. O próprio diretor estava em São Paulo na época e manteve diálogos animados com espectadores depois das sessões, já que fala fluentemente o espanhol. Numa dessas ocasiões, alertou a platéia para que não tivesse medo ou vergonha de rir das diversas situações cômicas do filme. Não é mesmo nenhum desrespeito, pois não há jamais a tentativa de negar o genocídio nazista ou diminuir a monstruosidade dos crimes daqueles dias. Mihaileanu apenas escolheu o caminho da fábula para comentar aqueles tempos obscuros e, desse modo, criou um documento para celebrar a vitória da memória e da imaginação sobre a força.

Neusa Barbosa


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