Clean

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Sinopse

Depois da morte de marido, por overdose, e uma curta prisão, a cantora Emily Wang (Maggie Cheung) tenta aos poucos refazer sua vida. Viaja por vários lugares e um dia decide assentar. Vai lutar, então, em busca de recuperar a guarda e a confiança do filho pequeno, que está sob a guarda de seus sogros.


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Crítica Cineweb

09/06/2005

O cineasta francês Olivier Assayas é um apaixonado pelo cinema, pela arte de fazer cinema e pela figura feminina. Ele conjuga esse três elementos como um arqueólogo minucioso em busca da descoberta certa em seu novo longa Clean, apresentado no Festival de Cannes/2004, no qual rendeu o prêmio de melhor atriz para a chinesa Maggie Cheung.

Desde seu plano inicial, com a deslumbrante fotografia de Eric Gautier (Irmãos, Diários de Motocicleta), o longa mostra que essa é uma história de uma pessoa que busca a pureza – como bem entrega o título. Chaminés lançam poluição para um melancólico céu canadense, a sensação é de perda da inocência, de um mundo imperfeito no qual não há lugar para desajustes – mesmo nesse mundo.

A personagem de Maggie, Emily Wang, é uma mulher em busca de uma pureza, uma alegria perdida, uma pessoa em busca de se reconectar com um passado que ela mal se lembra de ter vivido. Ela é uma cantora e compositora viciada em drogas que roda o mundo com o marido (James Johnston), também junkie. Seu filho pequeno mora com os pais dele (Nick Nolte e Martha Henry).

Em poucos minutos, Assayas põe abaixo essa estranha harmonia da desconexão e perda. O marido de Emily morre de overdose, ela é acusada de ter comprado as drogas, presa e perde a guarda do filho. Pouco depois, ela está de volta ao mundo. Mas esse é um plano quase inexistente para ela, que acha estranho ter que se livrar do vício.

Emily se torna uma viajante. Nunca tem um destino concreto, nunca fica muito tempo em um lugar só, até se estabelecer em Paris e encontrar uma meta: trazer o filho de volta. Isso não é nada simples, para uma mulher sem emprego nem perspectivas. A cantora busca a sua redenção. E não há garantia de que ela possa realmente existir.

A jornada de Emily rumo ao seu filho é gradual e, às vezes, dolorosa, embora o cineasta nunca opte pela punição. A artista deseja algo que é seu por um direito natural, mas foi perdido. Os momentos em que Emily busca uma reconexão com seu filho são de partir o coração – mas ao mesmo tempo extremamente reais, não há pieguice.

Diferente do que impera em filme relacionados a drogas e junkies, em Clean os personagens não gritam uns com os outros. Os diálogos são quase sussurrados. Há um medo de que palavras possam ferir. A trilha sonora, com destaque para Brian Eno, é etérea e cria o clima ideal de uma realidade impalpável, como a de Emily.

Há, no mínimo, meia dúzia de cenas já antológicas, como uma em que a personagem de Béatrice Dalle ouve uma música de Emily enquanto joga sinuca, ou o encontro entre mãe e filho, ou no quando da notícia da morte do marido da cantora. No final, somam-se os planos, e Clean sai vitorioso como um todo, como uma peça rara descoberta por um arqueólogo.

Alysson Oliveira


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