A Guerra de Hart

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Crítica Cineweb

03/02/2003

Há muita coisa errada num filme supostamente patriótico e pró-americano em que se simpatiza, mesmo não querendo, com o comandante nazista desde a sua primeira cena. Essa afinidade com o inimigo decorre tanto da inegável segurança do ator romeno Marcel Iures para encarnar a ambigüidade do coronel Werner Visser quanto das falhas da história, da direção e da fragilidade da figura dos protagonistas, o tenente Thomas Hart (Colin Farrell) e, pior ainda, o coronel William McNamara (Bruce Willis).

Willis é, claramente, o ator errado para um papel que requer sutileza. Afinal, ele é um líder durão, vindo da Academia de West Point, e de quem o roteiro espera que esconda o jogo praticamente até o final. Esse erro de escalação de elenco compromete seriamente todo o filme, que teve desempenho modesto na bilheteria americana.

Hart, o personagem do título, é desde o começo alguém difícil de gostar. Filhinho de papai-senador, estudante de direito na prestigiada Universidade de Yale, ele ganhou a patente por conta dessa linhagem familiar. Nunca viu de perto um campo de batalha da II Guerra Mundial, embora já se esteja em 1944. Afinal, por ser quem é, vai servir no quartel-general dos comandantes aliados na Bélgica, no bem-bom que é apelidado pelos próprios militares de "Waldorf Astoria" - referência ao luxuoso hotel novaiorquino.

Mas a sorte de Hart muda no dia em que ia entregar champanhe a outros oficiais e acaba capturado pelos nazistas. Submetido a torturas, descobre que não é nenhum herói. Mandado para um campo de concentração junto aos seus compatriotas, liderados por McNamara, percebe que a vida também não é mole entre seus colegas de farda, que são preconceituosos contra sua origem aristocrática, além de ferrenhos racistas que fazem tudo o que podem para atormentar dois novos prisioneiros negros, os pilotos Scott (Terrence Howard) e Archer (Vicellous Shannon).

Introduzindo um drama de tribunal, envolvendo um dos pilotos negros, em pleno campo de concentração, o filme força a mão, porque fica decididamente inverossímil - especialmente as intenções redentoras da porção final. A única distração é a fina ironia do comandante Visser, um alemão que também estudou em Yale, gosta de jazz e Mark Twain e quase sempre parece bem menos racista do que os soldados americanos.

Cineweb-19/4/2002

Neusa Barbosa


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