A Vida Marinha com Steve Zissou

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Sinopse

Steve Zissou (Bill Murray) é um oceanógrafo que faz filmes sobre o filmes sobre o fundo do mar. Quando um raro tubarão jaguar devora seu melhor amigo, ele decide capturar o animal.


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Crítica Cineweb

19/05/2005

O cineasta Wes Anderson ocupa um lugar no mínimo curioso no cinema contemporâneo. Seus filmes mais famosos, Três é Demais (1998), Os Excêntricos Tenenbauns (2001) e agora A Vida Marinha com Steve Zissou, (2004) foram produzidos por um dos maiores estúdios de Hollywood, no entanto, todos têm uma certa aura indie. Mas o que é mais curioso é que nenhum deles foi um estouro de bilheteria ou ganhou prêmios, e a Disney não costuma bancar projetos que não rendam nada. E diferente da maioria das produções deste estúdio, os filmes de Anderson têm conteúdo. Ele é praticamente um excelente paradoxo do cinema contemporâneo.

Com A Vida Marinha... ele eleva a sua posição paradoxal à metalinguagem. Por mais que o longa parece um filme sobre um oceanógrafo, na verdade, é uma versão andersoniana do 8 ½, de Fellini, ou de A Noite Americana, de Truffaut. É um filme sobre a arte e a paixão sobre fazer filmes. Mesmo que estes não sejam vistos por ninguém. O ‘fracasso’ financeiro (e mesmo de premiações) é um preço a se pagar quando se opta pela originalidade.

A história começa com o oceanógrafo Steve Zissou (Bill Murray) apresentando a primeira parte de seu filme A Vida Marinha para um grupo da mais alta sociedade italiana. O hermetismo da produção faz com que a sala fique cada vez mais vazia, até sobrarem meia dúzia de pessoas para uma sessão de perguntas e respostas com o Zissou – um personagem, aliás, moldado à imagem de Jacques Cousteau.

Na primeira parte deste seu projeto, Zissou teve seu melhor amigo (vivido por Kumar Pallana, uma constante nos filmes de Anderson) devorado por um pouco conhecido tubarão jaguar. O segundo filme que o cinesta-oceanógrafo promete fazer mostrará a sua vingança conta a indomável fera que matou o seu amigo – mesmo que o peixe seja uma espécie em extinção.

Saem Steve e a sua equipe, que conta com sua mulher (Anjelica Huston), o alemão Klaus (Willen Dafoe) e o brasileiro Pelé dos Santos (Seu Jorge) entre outros, em busca do tal tubarão. Mas a trupe acaba aumentando com a chegada da repórter inglesa Jane Winslett-Richardson (Cate Blanchett) e de Ned Plimpton (Owen Wilson), um piloto de avião meio caipira que jura ser filho de Zissou.

Essa expedição marítimo-cinematográfica de Zissou é uma desculpa para que Anderson embarque na sua expedição existencial e cinematográfica, simplesmente tirando os alicerces da vida de seus personagens e deixando-os à deriva no meio de seu oceano. A relação entre Zissou e seu suposto filho Ned é o tema mais constante na obra do jovem cineasta, como ele mesmo diz, a relação mentor e protégé.

Mas ao mesmo tempo, Anderson expande a sua paleta ao mergulhar de cabeça na metalinguagem. O navio de Zissou é literalmente desconstruído à medida em que é explorado sala a sala, com direito a uma imagem exterior mostrando cada compartimento. Essa desconstrução chega ao seu auge em um momento climático quando os personagens passam de sala a sala, mostrando que aquilo é nitidamente um cenário.

Apesar do uso da metalinguagem, A Vida Marinha... vai além de um exercício de estilo, no momento que Anderson também explora a emoção e humanismo de seus personagens. Radical em sua concepção estilizada de mundo, chega a ser controverso que as pessoas dos filmes do cineasta sejam tão humanas em suas aspirações – seja Zissou querendo matar o tubarão, ou Ned em busca da figura paterna que nunca teve, ou Jane encontrando o amor.

Com o extensivo uso de efeitos visuais na criação do fundo do mar e seus habitantes, Anderson criou um mundo à parte, no qual os sonhos de seus personagens se materializam em formas submarinas. A beleza desse mundo é ainda realçada pelas versões em português que o ator e cantor Seu Jorge fez para canções dos anos 70 de David Bowie.

Se Steve Zissou vai encontrar ou não o tal tubarão jaguar é apenas um detalhe. O que conta são as viagens do oceanógrafo, de sua equipe e de Anderson que fez o seu filme mais complexo e complicado e, por isso mesmo, mais difícil de vender. Mas como o personagem que criou, o cineasta não parece estar preocupado com grandes retornos financeiros, ele quer mais é fazer o que gosta com qualidade e conteúdo – algo raro no cinema norte-americano contemporâneo.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 30/12/2010 - 18h56 - Por renan filme mt bom adorei . Mas os efeitos especiais deixaram a desejar . Mais posso me considerar um fã de zissou
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