Oldboy

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Sinopse

Depois de ficar quinze anos preso, Oh Dae-sy sai transtornado de seu cárcere e vai em busca de seu inimigo. Ele não tarda a descobrir quem o aprisionou, mas este lhe dá apenas cinco dias para encontrar as causas do seqüestro.


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Crítica Cineweb

12/05/2005

Não tivesse 2004 sido um ano de eleições presidenciais nos Estados Unidos, é bem provável que o drama de ação coreano Oldboy fosse o grande vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado – ao invés do filme-nitroglicerina Fahrenheit 11 de Setembro, do documentarista Michael Moore, que esmiúça alguns dos podres da família Bush. A premiação acabou sendo muito mais política do que meramente cinematográfica.

O longa asiático levou o Grande Prêmio do Júri – o segundo mais importante da competição. Além disso, arrebatou um admirador de peso, o cineasta Quentin Tarantino, que era o presidente do júri, e um confesso fã do cinema oriental. E não é difícil achar algumas cenas parecidas nos dois Kill Bill e em Oldboy, de Chanwood Park.

Diz-se que o tempo que cura qualquer ferida, e também apaga tudo é, por natureza, relativo. Quinze anos na vida de uma pessoa pode ser muito ou pouco. Em 1988 Oh Dae-su (Choi Min-sik) é aprisionado num quarto de hotel onde há uma cama e uma televisão. A comida é entregue através de uma abertura na porta. O tempo passa lentamente. São quinze anos nesse domicílio insano. Dae-su tatua um risco em sua mão para cada ano – a prova física para não perder a noção temporal.

Ao fim desse tempo ele é libertado. Não lhe resta muito a fazer, a não ser descobrir quem e porque foi preso. E, provavelmente, se vingar deste seu inimigo. Dae-su começa uma jornada em busca da verdade, mas não está sozinho. Pessoas estranhas o ajudam a se aproximar da razão do seqüestro. E nada é por acaso.

Não demora muito a descobrir quem o seqüestrou, mas ele terá apenas cinco dias para encontrar a razão do cárcere. Dae-su entra numa busca frenética revirando seu presente e passado tentando encontrar explicações. Mas a conclusão pode ser mais assustadora do que os quinze anos fora da sociedade.

Com um apelo visual carregado de um charme rústico, o cineasta coreano cria a sua coreografia da violência, medo e redenção. Esse é o segundo filme do diretor que está produzindo uma trilogia sobre vingança. O roteiro é baseado num manga japonês é de uma violência extrema, porém não gratuita. Park consegue ser mais cruel com a sua platéia (principalmente as ocidentais) do que com seus personagens – e isso é uma das maiores qualidades de Oldboy.

Sendo o filme sobre o tempo e seus efeitos, é de se esperar que ele tenha um tempo próprio. Com recursos de edição sofisticados, sem cair na mesmice pseudo-tecnológica de filmes que querem ser moderninhos, Oldboy alterna o seu ritmo de um frenético necessário a um contemplativo-melancólico – igual a Dae-su que busca retomar a sua vida interrompida. A trilha sonora oscilando de clássicos, como Vivaldi, a um tecno contemporâneo é a prova de que os extremos convivem num mesmo mundo.

O requintado longa de Park desenvolve-se no seu âmbito próprio convidando o espectador a aceitar o filme e os personagens – e não o contrário. Os personagens movem-se usando uma moral própria e, por isso, assustadora. Oldboy é vários gêneros num filme só, indo do romance ao terror físico e psicológico. Longe de ser excêntrico, é a prova de que a vingança é um prato que se come frio – ou melhor, cru no caso deste longa.

Alysson Oliveira


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