A Queda! - As Últimas Horas de Hitler

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Sinopse

Isolado em seu refúgio em Berlim, Adolf Hitler (Bruno Ganz) vive os últimos dias do III Reich. A desordem se instala dentro e fora da sede de comando, com o avanço das tropas soviéticas. Mesmo percebendo o fim do sonho delirante de um império, ao custo de milhões de vidas, decide não se render e opta pelo suicídio.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

04/05/2005

Há um tom sombrio em toda a narrativa que nunca deixa esquecer que se trata de um réquiem. Fato conhecido por todos, a derrocada do nazismo é experienciada aqui de outra maneira. Em que consiste essa diferença: ver por dentro o bunker da própria encarnação do mal do Ocidente, Adolf Hitler, interpretado por um dos atores mais improváveis para o papel – o doce e afável suíço Bruno Ganz, intérprete de um anjo em Asas do Desejo e de um suave sedutor em Pão e Tulipas.

Experiente em situações claustrofóbicas desde seu filme anterior, A Experiência, o diretor Oliver Hirschbiegel dá conta de criar o clima sufocante das últimas semanas do III Reich, quando o exército soviético já cercava suas fronteiras por todos os lados, promovendo seu aniquilamento militar. Dentro do bunker do comando nazista, em Berlim, respira-se a atmosfera do fim iminente. Hitler, Eva Braun (Juliane Köhler), a jovem secretária Traudl (Alexandra Maria Lara) e os militares mais próximos do círculo do poder estão acuados. Mas agarram-se às últimas esperanças.

Hitler desanca seus oficiais, acusa-os de incompetência, ressente-se do abandono de dois dos seus mais altos auxiliares, Himmler e Goering, traça planos mirabolantes de reação contando com tropas que já não estão disponíveis. O filme nunca perde de vista esta megalomania insana e criminosa, que opta por abandonar mesmo seu povo à própria sorte. Hitler e Goebbels (Ulrich Matthes) recusam-se a ter compaixão pelos civis alemães, dizendo que, ao escolherem seus líderes, entregaram sua sorte em suas mãos. Se eles falharam, o povo que os escolheu deve segui-los no fim.

Se de um lado Hitler e Goebbels são mostrados com este requinte de determinação sombria, não deixam de assumir uma caracterização humana, que, ao contrário do que possa parecer, contribui para torná-los ainda mais assustadores. O fato de que Hitler seja capaz de gentilezas com sua secretária e com as crianças de Goebbels (que o chamam de “tio Hitler”) e de extremo carinho com sua cachorra não o torna em nada mais aceitável. Ao humanizar Hitler de uma forma que a maioria dos filmes não ousa, o personagem se torna mais verossímil, apenas. A partir daí, um sentimento quase paranóico pode tomar conta de alguns: esse monstro que comandou a morte de 50 milhões de pessoas era um ser humano. Seria possível que outro como ele voltasse a surgir?

A grande força do filme está em armar um contraponto entre esses acontecimentos no huis clos do refúgio de Hitler e a destruição que acontece nas ruas no mesmo momento. Enquanto o exército alemão era batido, os civis padeciam de fome e desordem social, as ruínas dos prédios bombardeados tomavam as ruas de Berlim. Também é útil ver alguns oficiais alemães – como o médico - retratados fora dos habituais estereótipos, discordando de Hitler, alguns sendo patrióticos e até heróicos sem por isso se tornarem automaticamente nazistas. Talvez só mesmo um filme alemão pudesse explorar esta nuance.

O filme concorreu ao Oscar de filme estrangeiro em 2005.

Neusa Barbosa


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