Kinsey - Vamos Falar de Sexo

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Sinopse

O dr. Albert Kinsey (Liam Neeson) foi um dos primeiros cientistas a pesquisar sobre a sexualidade humana. Em plena década de 50, uma época de repressão, seus estudos causaram escândalo e revolucionaram o modo de viver e amar das futuras gerações.


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Crítica Cineweb

28/04/2005

O zoólogo – que acabou se tornando sexólogo –Alfred Kinsey é creditado (ou amaldiçoado) como o ‘causador’ da revolução sexual nos anos 60. Até o pesquisador começar os seus estudos sobre a sexualidade humana, era como se as pessoas vivessem em meio às trevas sobre o que acontecia em seus corpos e mentes, quando o assunto era sexo. Sua primeira publicação sobre o assunto data de 1947. Até então, era quase universal algumas idéias bem erradas, como que a masturbação causaria cegueira ou que a homossexualidade era algo muito raro.

Kinsey – Vamos Falar de Sexo mostra o pesquisador em meio às suas pesquisas e descobertas, que o levaram a ser praticamente demonizado pela sociedade norte-americana. O longa escrito e dirigido por Bill Condon (o mesmo do ótimo Deuses e Monstros, 98) centra-se na figura de Kinsey e sua exaustiva pesquisa que, aliás, começou mudando o comportamento sexual dentro de sua própria casa. Mais do que construir um mito ou um ser iluminado, o filme mostra a figura de Kinsey extremamente humanizada, fazendo descobertas que iriam influenciar principalmente sua própria vida e escolhas sexuais.

É raro uma produção cinematográfica lidar com o assunto sexualidade de forma tão honesta, e ao mesmo tempo tão sensual – sem nunca cair na vulgarização ou banalização do assunto. Mesmo as imagens mais gráficas (aliás, nunca gratuitas) acabam sendo mais um estímulo ao pensamento e ao intelecto da platéia do que à libido. Dessa forma, Condon consegue extrapolar o estereótipo das cinebiografias que têm assolado o cinema nos últimos tempos. A maioria dos filmes deste subgênero caem na mesma fórmula de destacar indivíduos geralmente martirizados, sobrevivendo a traumas e/ou dificuldades físicas, econômicas e sociais e vencendo na vida. Kinsey, por sua vez, consegue fugir dessas armadilhas na maioria das vezes, embora algumas cenas acabem sendo redundantes.

As descobertas sobre a sexualidade do professor Kinsey (Liam Neeson) – mais conhecido como Prok – começaram dentro de casa, quando em sua primeira noite com sua mulher Clara McMillen (Laura Linney, indicada ao Oscar por esse trabalho) enfrentam algumas dificuldades anatômicas. Mais tarde, na universidade onde leciona, nota uma grande escassez de informações no campo da sexualidade. Os alunos o procuram com dúvidas banais – é então que o professor nota que não existiam pesquisas sérias nesse campo.

Munido de três assistentes meticulosamente escolhidos, Prok começa o seu trabalho. Essas entrevistas são uma espécie de raio X do comportamento da sociedade americana do momento – além de, muitas vezes, trazer um certo alívio cômico para o filme com alguns momentos emotivos, outros iluminados. Dessa forma, o filme – como o trabalho do pesquisador – salienta a necessidade da diversidade. “Apenas as variações são reais”, afirma o professor. Retratando o personagem, o longa faz uma radiografia de seus tempos e da moral vigente na época, além da política, quando o que reinava era a repressão.

Muito se polemizou sobre o retrato que Condon faria da bissexualidade de Kinsey. Numa época em que não se conheciam os males de barbitúricos, o pesquisador usou bastante a droga, e, muitos dizem, que sob influência dormiu com diversos colegas. Isso é mostrado de forma natural, como um conseqüência das pesquisas, como uma revolução sexual pessoal do pesquisador. Kinsey, aliás, afirmou que raramente alguém é exclusivamente hetero ou homossexual mas, que todos existimos em meio a uma escala de 1 a 6, na qual o 1 representa o indivíduo unicamente heterossexual e o 6 aquele unicamente heterossexual. Ele mesmo se classificava no número 4.

Coube a Lynn Redgrave (que fez um magnífico trabalho em Deuses e Monstros) um pequeno personagem, mas de extrema importância para a conclusão do filme. Ela é a última entrevistada e traz à tona a importância da pesquisa de Kinsey. Quando o depoimento dela chega, ele vem sem demagogias ou melodrama. É uma conseqüência de tudo o que se viu até então.

Se Kinsey jogou uma luz sobre a hipocrisia da sociedade norte-americana, ou se abriu a caixa de Pandora, depende o ponto de vista de cada um. Mas o que é certo, é que o ele abriu as portas para o enorme leque de opções sexuais que temos hoje. Sem ele e sua pesquisa, o mundo contemporâneo seria ainda mais complicado.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 24/06/2011 - 21h20 - Por Carolina Tirou-me a inocencia.
  • 21/06/2019 - 12h38 - Por Jardel Mas a bonita quer ver um filme que fala sobre pesquisa do sexo e quer ficar com a inocência intacta? Aliás, suposta inocência, pois se procura (e aceita assistir) um filme com tal temática, não sei se era tão inocente assim, mesmo antes de assistir.
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