Violação de Privacidade

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Sinopse

Hakman (Robin Williams) é um editor que monta filmes da memória das pessoas que têm um chip implantado no cérebro. Porém, ele tem um grande trauma de infância e num desses chips pode estar a solução.


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Crítica Cineweb

07/04/2005

O conceito de Violação de Privacidade é tão interessante e instigante, que era preciso um filme muito bom para gerar alguma discussão. Não é o caso desse longa do jordaniano (radicado nos Estados Unidos) Omar Naim, que embora ensaie discussões sobre temas complexos como (i)mortalidade, memória e até sobre cinema, nunca decola e desperdiça a premissa num roteiro pífio.

Num futuro não identificado, as pessoas podem optar por fazer um implante de um chip, conhecido como Zoe, no cérebro de seus filhos que ainda não nasceram. Anos depois, quando estas pessoas ‘implantadas’ morrerem, é possível editar um filme sobre a vida delas, mostrando as melhores partes dessa existência numa cerimônia conhecida como rememoração. Entra em cena a figura do editor, que é a pessoa que irá acessar o chip, operar os equipamentos e montar o filme.

É ele que, na verdade, tem a decisão final do que será mostrado ou não. Coisas que o falecido escondeu de todo mundo (casos extraconjugais, trapaças e afins) ficam de fora; coisas boas e alegres (casamento, nascimento dos filhos, conquistas...) têm um destaque no ‘filme’. Essa manipulação da memória faz surgir grupos radicais que são contra.

Em pouco tempo, Naim já abriu meia dúzia de portas interessantes para serem exploradas ao longo de Violação de Privacidade, mas ele pouco se aventura por elas. O roteiro vai se fechando em torno de Alan W. Hakman (Robin Williams), um editor que tem uma dívida com seu passado. Quando criança, ele não conseguiu evitar que um amigo caísse de um andaime e morresse e esse trauma o persegue.

Naim parece não saber quando parar. Ele continua a escancarar portas e não explorar a fundo nenhuma dessas possibilidades. Hackman se envolve com a ex-namorada de um rapaz, vivida por Mira Sorvino, cujo filme ele editou. Surge também Fletcher (Jim Caviezel, o Jesus, de A Paixão de Cristo, com uma barba falsa que acaba roubando a atenção), um ex-editor que tenta conseguir um chip de um morto para expor os podres de uma empresa. Uma das editoras mais importantes chama-se Thelma. Seria uma tentativa de homenagear a grande Thelma Schoonmaker (O Aviador), uma das montadoras mais importantes do cinema? Ou talvez o Hakman refere-se a Gene Hackman e seu personagem em A Conversação? Nunca vai se saber o que é intencional ou acidental no caldeirão de ‘referências’ do diretor.

Quando Violação de Privacidade entra em sua reta final e Naim tenta fechar todas as portas que abriu, ele banaliza ainda mais todo o seu conceito, suas idéias. Não que até então tudo faça muito sentido. A sensação que se tem é de que muito do filme ficou no chão da sala de edição. A relação entre os personagens de Mira e Williams não apenas é implausível como truncada. Mas a maior perda de tempo do roteiro é se entregar ao drama de infância de Hakman, que acredita que o amigo morreu. Então, ao editar a vida das pessoas e excluir os seus pecados, é como se ele buscasse sua própria redenção.

Muitas vezes, Violação de Privacidade lembra a clássica ficção científica dos anos 80, Projeto Braistorm (1983), na qual um grupo de cientistas cria um equipamento que permite entrar dentro do cérebro das pessoas e investigar as sensações e emoções. Mas descobre-se que os militares podem estar envolvidos no projeto não por puro interesse na ciência. É essa mistura entre o pessoal e o político que Naim parece buscar, sem nunca conseguir.

Nos últimos tempos, Williams trocou a sua persona-sempre-alegre de filmes como Patch Adams por uma representação apática, que às vezes funciona (Insônia) e às vezes não (Retratos de uma Obsessão). Tudo depende de ter um bom diretor no comando. O que não é o caso de Naim, que não tem o menor talento para dirigir seus atores.

Se os chips Zoe já existirem em algumas pessoas e estas assistirem a Violação de Privacidade, essa ida ao cinema certamente ficará de fora do corte final do filme de suas vidas. Aliás, no filme da vida de todo mundo.

Alysson Oliveira


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