Jogo Subterrâneo

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País


Sinopse

Pianista solitário (Felipe Camargo) inventa um jogo para conhecer uma mulher no metrô. Mas é levado a traí-lo movido pela atração que sente pela misteriosa Ana (Maria Luísa Mendonça).


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

31/03/2005

O ponto de partida é um conto minúsculo do argentino Julio Cortázar: Manuscrito Encontrado em um Bolso, parte do livro Octaedro (1980). A partir deste argumento mínimo, o diretor Roberto Gervitz (Feliz Ano Velho) e o roteirista Jorge Durán (A Cor do Seu Destino) criaram praticamente todos os detalhes. Tudo o que restou do conto original foi a idéia de um homem que cria um complicado jogo para encontrar uma mulher no emaranhado das linhas do metrô.

Em primeiro lugar, mudou-se o endereço da trama, do metrô parisiense em Cortázar, para o metrô paulistano – que, aliás, aparece por muito mais tempo do que em qualquer outro filme feito até agora, ainda mais que é praticamente um personagem. Neste cenário, o protagonista Martin (Felipe Camargo), um solitário pianista da noite, joga seu jogo. Traça diariamente um itinerário entre as estações, olha as mulheres, define regras para o cruzamento de olhares – e a coincidência da estação em que ambos devem descer terá de fazer o resto.

Como é natural, incidentes imprevisíveis vão pontuar esta estranha estratégia de controle da realidade. Assim, entrarão na vida de Martin algumas personagens que não jogam necessariamente o jogo – a escritora cega Laura (Julia Lemmertz), a tatuadora Tânia (Daniela Escobar), sua filha Victoria (Thávyne Ferrari). E a paixão fará, como sempre, o jogador trair seu jogo, em nome de conhecer Ana (Maria Luísa Mendonça).

Rejeitando o recurso de explicar a psicologia dos personagens, bem como de desvendar seu passado, Gervitz navega na superfície de suas emoções, tomando o pulso de sua urgência. Sendo assim, suas criaturas só têm presente. O futuro é incerto e imprevisível. Nada poderia ser mais fiel ao espírito de Cortázar, ainda que nos detalhes a invenção tenha tido de ser, necessariamente, total.

A se comemorar, fora as ótimas interpretações de todo o elenco, há também o fato de que o cinema brasileiro da retomada já tenha recobrado a maturidade e sofisticação para fazer um filme assim. A se esperar, que os espectadores tenham a disponibilidade de perder-se na fluidez de seus muitos caminhos.

Neusa Barbosa


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