A História de Adèle H.

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Crítica Cineweb

08/01/2003

Isabelle Adjani tinha apenas 19 anos e quase nenhuma experiência no cinema quando aceitou o papel de Adèle Hugo, a protagonista deste que é um dos dramas mais elogiados do falecido diretor francês François Truffaut. Foi uma jogada de risco. Afinal, ela deixava de lado uma carreira promissora no teatro, na prestigiada Comédie Française, jogando-se inteiramente numa personagem à beira da loucura, em filmagens em locais isolados, além de constantemente pressionada pela paixão do diretor, à qual ela não correspondia.

Como muitas vezes, Truffaut apaixonou-se pela protagonista de seus filmes. Isto já acontecera, por exemplo, com Jeanne Moreau e Catherine Deneuve. Deneuve, aliás, fora sua primeira opção para o papel de Adèle. Mas, na época em que realmente teve condições de tocar o projeto, havia decidido remoçar sua heroína, chamando uma atriz iniciante. Isabelle, então, entrou sob medida em suas pretensões. Seu belíssimo rosto virou obsessão para ele antes mesmo de conhecê-la pessoalmente. Ele a vira apenas na televisão, na transmissão de uma montagem da Comédie de Escola de Mulheres, de Moliére, e num filme, La Gifle, de Claude Pinoteau, quando resolveu escrever para convencê-la a aceitar o papel. Sedutor com as palavras, conseguiu.

Nas filmagens, em compensação, as relações entre o diretor e sua atriz tornaram-se progressivamente mais tensas. Mesmo muito jovem, Isabelle já tinha a personalidade forte que a tornaria tão famosa quanto seu talento, anos depois. Em todo caso, entregou-se completamente ao papel, ao mesmo tempo em que Truffaut mergulhava em sua paixão real pela musa. Invertia-se, assim, na realidade, o pólo da obsessão amorosa da história, que é verídica. Em 1863, Adèle Hugo, filha mais nova do famoso escritor Victor Hugo, apaixona-se perdidamente por um soldado inglês, o tenente Pinson (Bruce Robinson). Ele é transferido para Halifax, no Canadá, e depois para Barbados e ela não pára de segui-lo, mesmo que ele rejeite seu amor e mais ainda casar-se com ela. Ela finalmente fica completamente louca e é levada de volta para casa, morrendo num hospital, em 1915.

Raras vezes a loucura amorosa foi retratada com tamanha intensidade na tela. Recusando-se a realizar ensaios para guardar sua energia toda para as tomadas, Isabelle não raro fazia a equipe chorar - incluindo o próprio Truffaut. Anos depois, ele reveria o filme e avaliaria que havia nele algo "estranho e capenga", como relatam seus biógrafos Serge Toubiana e Antoine de Becque. Pode ter sido apenas mágoa de um amor não correspondido. Sabe-se, porém, que o orçamento do filme, na época, teve de ser drasticamente cortado, o que sem dúvida impediu voos mais altos na história. O foco ficou completa e claustrofobicamente fechado em Isabelle Adjani - não fosse ela a intérprete magnífica que é, o esforço teria sido em vão. Felizmente, bem ao contrário, valeu a pena - e o cinema ganhou a atriz magnífica que faria depois Camille Claudel (89) e A Rainha Margot (94).

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 20/01/2011 - 09h34 - Por Geralda Aparecida Para mim é um dos filmes mais lindo sobre amor-obsessão. E a atriz, lindíssima, atuou magnificamente! Parabéns, Truffaut.
  • 06/03/2011 - 09h11 - Por laura que porcaria
  • 24/11/2011 - 01h25 - Por Maria Ao contrário do comentário acima, é uma obra prima que felizmente pude conhecer. Antes tarde do que nunca! Truffaut e Adjani estão de parabéns!
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