Reencarnação

Ficha técnica


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Sinopse

Às vésperas de se casar pela segunda vez, Anna (Nicole Kidman) recebe a visita de Sean (Cameron Bright), de 10 anos, que diz ser a reencarnação de seu marido. O que é mais surpreendente é que o garoto sabe detalhes demais do passado. A vida de Anna e sua família vira do avesso quando Sean se instala na casa deles e diz que quer a sua esposa de volta.


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Crítica Cineweb

23/03/2005

O título Reencarnação, que a distribuidora brasileira deu para o drama Birth [Nascimento], é uma faca de dois gumes fatais. Se por um lado esse nome vai atrair seguidores de doutrinas espíritas ou curiosos pelo assunto, por outro, vai afastar boa parte do público a quem realmente esse filme se destina. É um erro tentar vender esse longa como uma ‘versão mais intelectual de Ghost – Do Outro Lado da Vida’, pois a história não tem nada disso.

Reencarnação é, na verdade, um delicado e competente drama que aborda temas como a culpa, o medo, o amor, a imortalidade (física e dos sentimentos) e flerta com o sobrenatural – mais especificamente, a reencarnação –, mas de maneira bem sóbria. Este é apenas um dos temas do filme. O que o diretor e roteirista Jonathan Glazer (Sexy Beast) oferece ao lado dos co-roteiristas Milo Adica (A Última Ceia) e o veterano Jean-Claude Carrière (constante colaborador de Buñuel) é um filme sofisticado, que lida com sobriedade com temas que seriam facilmente banalizados, não fosse o fato desse time unir três profissionais de sensibilidades bem diferentes.

A mistura do trabalho de três roteiristas com vertentes tão diversificadas é reforçada pela inesperada trilha sonora de Alexandre Desplat (Moça com Brinco de Pérola), que foge do padrão Hollywood. Aliás, a música em Reencarnação escapa de qualquer padrão usado no cinema nos últimos tempos. São composições diferentes, que misturam ritmos e instrumentos para criar um clima muitas vezes fantasmagórico e surreal, mas que ao mesmo tempo mantém os pés no chão.

Dessa forma, mais do que um drama sobrenatural, Reencarnação é um filme psicológico. Por mais que possa parecer que a história queria desviar para uma explicação banal, Glazer está mais preocupado em estabelecer uma tensão do que encontrar soluções. Dessa forma, o filme conquista mais por sua estranheza. A direção e o roteiro valorizam mais o silêncio e a expressão corporal dos atores do que diálogos elaborados. Num dos momentos-chave da história. Anna (Nicole Kidman) e Joseph (Danny Huston) chegam atrasados a um concerto. A câmera a acompanha o tempo todo, a dificuldade de chegar até os seus assentos no meio da fila, o transtorno que causam nas outras pessoas. Até o momento em que se sentam, e uma câmera fixa o rosto de Nicole. São segundos de aflição e estática que serão quebrados pelo desespero, quando ela finalmente percebe que acaba de entrar na sua vida um problema que não será facilmente resolvido.

O problema é Sean (Cameron Bright, de O Enviado), um menino de dez anos que diz ser a reencarnação do falecido marido de Anna, também chamado Sean. No início, parece até ser algo engraçado, mas o garoto instala-se de tal forma na vida de Anna que acaba afetando toda a sua família. A existência daquelas pessoas passa a girar em torno da possibilidade daquele garoto ser – ou não – Sean encarnado num outro corpo.

Todo o equilíbrio daquela família nova-iorquina vem por água abaixo quando o garoto diz ser o falecido Sean e não muda de opinião. O que acaba sendo mais assustador é que ele convence a todos – inclusive a platéia – de que realmente pode ser Sean. Nesse ponto, entra o talento de Bright num personagem difícil. Toda a premissa do filme depende dele e da resposta que Nicole dá ao personagem do menino. Se ele não parecer convincente, não há roteiro, nem direção que segure o filme.

Em Reencarnação, Glazer mostra, mais uma vez, a habilidade em lidar com sentimentos complexos e momentos complicados da vida de seus personagens. O filme é daqueles que causa discussões, debates por muito tempo. Isso é um fato positivo, embora sua conclusão possa não agradar a muitos.

Alysson Oliveira


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