Herói

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País


Sinopse

Guerreiro Sem Nome (Jet Li) apresenta-se ao rei de Qing, reclamando a recompensa por ter matado os três espadachins que tentavam assassinar o soberano. Este, porém, desconfia que o recém-chegado lhe prepara uma armadilha.


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Crítica Cineweb

22/03/2005

O mais clássico dos cineastas chineses, Zhang Yimou, volta ao passado para tecer um conto de honra, dever e paixão. Indicado ao Oscar de filme estrangeiro de 2003, o filme chega às telas brasileiras com visível atraso. Sua seqüência, O Clã das Adagas Voadoras, já foi lançado internacionalmente em 2004.

O guerreiro Sem Nome (Jet Li) chega à corte do rei de Qin (Chen Dao Ming). No século III A.C., Qin é um dos sete reinos em que se divide a região da China, então sacudida por violentas guerras. Sem Nome apresenta-se portando as armas de três dos assassinos que há tempos tentam matar o soberano – Céu (Donnie Yen), Neve que Voa (Maggie Cheung Man-Yuk) e Espada Quebrada (Tony Leung Chiu-Wai) – e garante-lhe que liqüidou todos eles, reclamando a recompensa oferecida.

O rei, porém, desconfia da veracidade das palavras do recém-chegado. Sabe que não foram poucas as vezes que sobreviveu a atentados e que o próprio Sem Nome poderia ser um assassino disfarçado. Ainda mais que a recompensa, além de de tesouros, inclui a permissão de chegar a dez passos de distância do rei.

Cada versão das histórias que fazem parte da conversa destes homens é apresentada na tela sob uma cor, tanto de figurinos como de fundo de cenários. Cinza, azul, vermelho, verde e branco se sucedem nesta paleta extraordinariamente sofisticada, na fotografia de Christopher Doyle (de Amor à Flor da Pele). Os relatos são igualmente pretextos para a apresentação de cenas de lutas lindamente coreografadas: a do Céu e Sem Nome sob chuva, embalados pela música de um músico cego; a de Neve que Voa e Lua (Zhang Ziyi) num bosque repleto de folhas soltas, cujos tons passam de amarelo a vermelho; a seqüência da escola de cartografia sob uma chuva de setas; e o duelo entre Sem Nome e Espada Quebrada voando sobre um lago.

Num filme de artes marciais, povoado só de guerreiros cujos talentos se equivalem, não deixa de ser notável que a arma mais decisiva seja a astúcia. Em seres que parecem tão frios quanto suas espadas, as paixões e a honra desempenham uma função visceral.

Uma comparação freqüente refere-se a Rashomon, clássico de Akira Kurosawa de 1950, pelo fato de os dois filmes revelarem a ambigüidade das versões de cada personagem. Mas não é menos verdade que a magnificência de algumas batalhas remete a outros filmes igualmente antológicos de Kurosawa, como Kagemusha e Ran.

De O Tigre e o Dragão, de Ang Lee, o filme empresta o detalhe dos guerreiros capazes de voar – uma metáfora tornada possível graças à incrível mágica visual que hoje o cinema é capaz de produzir. Mas em Herói as paixões são menos individuais e isto dá uma gravidade diferente ao filme.

Neusa Barbosa


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