Amor em Fuga

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Crítica Cineweb

08/06/2001

Quase que Antoine Doinel, acometido pela depressão, vai parar no divã da então psicanalista Colette. Em princípio, Amor em Fuga seria apenas organizado a partir de flashbacks, para ilustrar as memórias do personagem. Insatisfeito com quase todo o roteiro, o diretor François Truffaut se juntou a roteirista Suzanne Schiffman e transformou a história.

A excelente idéia de utilizar colagens de cenas
dos outros quatro filmes (Os Incompreendidos, Amor aos 20 Anos, Beijos Proibidos e Domicílio Conjugal) foi mantida e explicita tanto os pensamentos de Doinel como de outros personagens. O artifício, extremamente bem trabalhado, reativa a memória do espectador que acompanhou as aventuras de Doinel, mas também situa aquele que o acaba de conhecer.

O filme, que fecha a série de narrativas sobre as aventuras do alter ego de Truffaut, foi uma atitude desesperada para apagar o fracasso de O Quarto Verde (1978). Apesar de deter uma temática bem mais simples se comparado aos outros quatro filmes, Amor em Fuga ainda dialoga bastante bem com as imperfeições humanas e com os desencontros amorosos.

Aqui, Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud), aos 35 anos, divorcia-se de Christine (Claude Jade) e começa a rever diversas pessoas que marcaram sua vida. Assim, o personagem (e também o diretor) faz as pazes com o passado e resolve traumas que carrega desde a infância.

Pivô de uma paixão mal-resolvida desde os tempos da Juventude Musical, a renomada advogada Colette (Marie-France Pisier) encontra Doinel na estação ferroviária, enquanto embarca para uma viagem de trabalho. Ao vê-la, o inconseqüente Doinel toma o mesmo trem que a moça. O encontro é esclarecedor, já que Colette revela a postura infantil e insistente que a fez, na época, desistir do rapaz.

Para exorcizar um outro fantasma, Doinel volta a encontrar um ex-amante de sua mãe, o sr. Lucien (o crítico de cinema Julien Bertheau), que indica o local onde ela está enterrada e, para dar um arremate final, o chama de "meu filho". Talvez assim, Truffaut queira insinuar uma figura paterna, algo que nem Doinel nem ele próprio encontraram ao longo de suas vidas. Essa reconciliação de Truffaut com a imagem materna provém de documentos descobertos nos arquivos da mãe, logo após sua morte, que comprovavam um real afeto pelo filho.

Resolvidos os traumas do passado, Doinel encara o futuro através da jovem e moderna Sabine (Dorothée), por quem se apaixona perdidamente ao encontrar sua foto. Apesar de insinuar um certo amadurecimento emocional de Doinel, a fita ainda faz questão de deixar bem clara a imagem do personagem como um eterno e incorrigível adolescente.

Luara Oliveira


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