A Vida é um Milagre

Ficha técnica


País


Sinopse

Engenheiro da capital iugoslava muda-se com a família para o campo, para construir uma estrada de ferro. Estoura a guerra civil no país, a família se separa e ele se envolve com uma prisioneira do lado inimigo.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

16/03/2005

Apresentando suas armas e sempre disposto à polêmica, o diretor bósnio Emir Kusturica aborda a guerra dos anos 90 em seu país – aonde, aliás, ele não volta desde 1995, quando milicianos muçulmanos incendiaram sua casa, em Sarajevo. Em A Vida é um Milagre, a ação começa em 1992. Vive-se a véspera da guerra que estraçalhou as nações saídas da divisão da antiga Iugoslávia. Todos os sinais indicam que a grande batalha está para iniciar-se, mas todos tentam fazer de conta que nada vêem.

O engenheiro Luka (Slavko Stimac) empenha-se na construção de uma estrada de ferro que aumente as possibilidades de turismo da região. Morando numa região campestre no meio do nada, ele tem problemas para contentar sua mulher, Jadranka (Vesna Trivalic), cantora de ópera que enlouquece paulatinamente devido à inatividade, e o filho Milos (Yuk Kostic), cujo sonho é jogar futebol.

Liqüida os sonhos de todos o estouro da guerra, para a qual o jovem Milos é convocado como soldado. Jadranka foge com um músico húngaro e Luka abriga em casa uma prisioneira muçulmana, Sabaha (Natasa Solak), que ele espera poder trocar pelo filho, que caiu prisioneiro das milícias sérvias. No meio da loucura, do absurdo e da intensa música cigana que sempre acompanha os filmes do também músico Kusturica, surge uma história de amor entre Luka e Sabaha. Aliás, como declarou Kusturica ao jornal Libération, em 2004, não era mais do que isso o que pretendia: “Acima de tudo eu queria fazer um belo filme de amor, uma coisa da qual não me julgava mais capaz”. E foi isso o que fez. Acima das polêmicas sobre os excessos cometidos por soldados de todos os lados (o filme menciona o estupro das muçulmanas, por exemplo), Kusturica parece pretender simplesmente afirmar a força da vida.

Há muitas semelhanças entre este e os outros filmes que fez o diretor bósnio. Mais do que tudo, Kusturica permanece fiel a si mesmo e não esconde que é sua pátria que continua alimentando sua imaginação, ainda que esteja fisicamente longe dela. Não faltará quem o acuse de estar repetindo-se a si mesmo, explorando de maneira mais simplista uma guerra que encontrou uma obra-prima em Underground – Mentiras de Guerra - que justamente lhe deu sua segunda Palma de Ouro, em 1995 ( a primeira Palma foi em 1985, pelo vigoroso Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios). Entretanto, é certo que o diretor continua capaz de criar um universo próprio, onde se reconhece sempre a sua marca e a sua energia e que por isso continua atraente. Dono da chave mágica do cinema, ele cria em seus filmes um lugar em que a imaginação pode voar.

Neusa Barbosa


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