O Casamento de Romeu e Julieta

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Sinopse

Moça palmeirense (Luana Piovani) apaixona-se por um corintiano (Marco Ricca). Para conseguir a permissão do pai dela (Luiz Gustavo), o rapaz se faz passar por palmeirense fanático, o que lhe cria uma saia-justa com a própria família, corintiana doente.


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Crítica Cineweb

16/03/2005

O Casamento de Romeu e Julieta não é um filme sobre futebol, como faz questão de frisar e com razão o diretor Bruno Barreto. Mas a rivalidade histórica entre Corinthians e Palmeiras dá o tempero deste romance que pede a benção de Shakespeare nos nomes dos protagonistas e da comédia italiana mais descabelada no tom.

A família de origem italiana encabeçada por um advogado paulistano com sotaque do Bixiga, Alfredo Baragatti (Luiz Gustavo), tem uma única filha, Julieta (Luana Piovani), palmeirense desde criancinha, como o pai, e até jogadora no time feminino do clube. Mas ela se apaixona justamente pelo oculista Romeu (Marco Ricca), viúvo que pertence a um fervoroso clã da Fiel, integrado pela avó Nenzica (Berta Zemel) e o filho, Zilinho (Leonardo Miggiorin).

A origem do roteiro está no livro Palmeiras, Um Caso de Amor, de Mário Prata, autor que, como quase todo mundo no filme, trabalha com lealdade trocada. Ou seja, Prata nem palmeirense é, e sim são-paulino, mesmo caso de Luiz Gustavo e Luana Piovani. Marco Ricca, na vida real, é palmeirense. Como se trata de uma comédia que não pretende levar a ferro e fogo a tragédia dos amantes de Verona, não há que se esperar nenhuma cena de sangue. O molho ítalo-paulistano foi salpicado no argumento pela bem-sucedida dupla Jandira Martini e Marcos Caruso, autores de retumbantes sucessos teatrais em São Paulo, como Porca Miséria, que ficou seis anos em cartaz na cidade.

A espinha dorsal é o conflito de Romeu, que finge ser palmeirense diante do quase-sogro, para ter tempo de conquistá-lo. A farsa leva-o a vestir uma camisa do Verdão, com todos os dilemas imagináveis – inclusive a possibilidade de ser desmascarado a qualquer momento. A história procura extrair o máximo de várias situações saia-justa em que se mete o oculista – desafiado por Baragatti a tornar-se sócio de seu time e até de participar de uma excursão do Palmeiras ao Japão, num avião lotado de torcedores alviverdes.

Comédia descomplicada, O Casamento de Romeu e Julieta nunca desliga os amantes do contexto de suas famílias e é aí que espera que o público se identifique, especialmente com os histriônicos Luiz Gustavo e Berta Zemel, respectivamente o pai da noiva e a avó do noivo. Outra aposta do filme é na beleza de Luana Piovani, inversamente proporcional ao seu talento como atriz, ainda muito tímido.

Bem ao contrário, o experiente Marco Ricca sai-se bem num terreno que não freqüenta muito, o das comédias. Mais conhecido pelos trabalhos dramáticos, como O Invasor, Ricca teve uma experiência cômica em 2003, com Cristina Quer Casar, ao lado de Denise Fraga – um filme modesto mas muito mal lançado, que merecia ter tido melhor sorte na bilheteria. O problema, em O Casamento de Romeu e Julieta, é que Ricca não conta aqui com uma parceira tão talentosa quanto Denise Fraga e a química do par romântico com Luana deixa a desejar.

Neusa Barbosa


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