Constantine

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Sinopse

John Constantine (Keanu Reeves) é um detetive sobrenatural. Desde que tentou o suicídio, conheceu o inferno e adquiriu uma capacidade especial para despachar demônios que se aventuram na Terra. Uma policial (Rachel Weisz) pede sua ajuda para esclarecer o suicídio da irmã gêmea.


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Crítica Cineweb

10/03/2005

Os aficcionados por quadrinhos, invariavelmente, fazem severas críticas às adaptações feitas para o cinema sobre seus heróis. E, invariavelmente, eles têm razão. Grande parte das produções americanas - diga-se aqui O Fantasma, O Demolidor – O Homem Sem Medo, O Justiceiro, Hulk e, mais recentemente Elektra – desconstroem esses personagens sem qualquer pudor, extraindo até a personalidade que os marca. Entre as exceções podem ser destacados X-Men e Homem-Aranha e suas respectivas seqüências, que conseguiram se manter fiéis à história original.

No entanto, por mais críticos que sejam os fãs, esses filmes fazem um estrondoso sucesso nos cinemas, pulverizando recordes de bilheteria. A fórmula é simples: após vasculhar os baús da Marvel ou da DC Comics, adapte uma história para que os leigos entendam (mesmo sacrificando características essenciais dos personagens) e acrescente doses cavalares de efeitos especiais e lutas coreografadas.

Seguindo essa receita, chega aos cinemas Constantine¸ baseado no personagem criado pelo genial Alan Moore. Conhecido também como “Hellblazer”, John Constantine é um anti-herói com a cara do Sting. Um misto de xamã e exorcista, detetive e justiceiro, está em constante luta contra o Céu e o Inferno. Extermina demônios que chegam ao plano humano com o objetivo de ser aceito no céu, lugar em que não é bem-vindo. Mal humorado e fumante compulsivo, está sempre se embebedando em algum pub.

Sua primeira aparição foi na revista Monstro do Pântano, de 1985 (lançada no Brasil só em 1990), na qual não passava de um mero coadjuvante. No entanto, se tornou a figura mais célebre do gibi e não tardou muito para ganhar sua própria série, pela editora Vertigo (subsidiária da DC Comics), em 1988. E, neste ano, uma versão para o cinema.

Embora seja uma eficiente produção para entretenimento cinematográfico, de fato, Constantine segue as mesmas fórmulas de todo o HQ que chega ao cinema. As mudanças do personagem não são apenas físicas (de loiro inglês, para Keanu Reeves em Los Angeles), mas fundamentalmente de comportamento.

Pela história adaptada a dez mãos, John Constantine emprega seus poderes e conhecimentos místicos para combater os fantoches de satanás, não por altruísmo, mas por achar que quanto mais demônios exterminar, mais chances tem de entrar no paraíso. Segundo a história contada no filme, uma tentativa de suicídio na juventude o condenou ao inferno.

No entanto, a missão de Constantine muda quando é procurado pela policial Angela Dodson (Rachel Weisz), que pede ajuda para resolver o misterioso suicídio de sua irmã gêmea. Agora, o renegado terá de enfrentar uma conspiração maléfica, que ameaça inundar o mundo com os demônios do inferno. Ao contar esta história, o filme peca em uma série de detalhes, que vão da escolha do ator protagonista, até a falta de referências para quem não tem conhecimento prévio do comic. Além de tirar o protagonista de Londres e passar para Los Angeles – e extrair todo o tom britânico da trama -, Constantine substitui sua travessa personalidade e seu ácido senso de humor por uma branda participação de Keanu Reeves, tornando-o um anti-herói genérico. Poderia ser “Neo versus Inferno” que ficaríamos com a mesma impressão.

Outro problema grave é a ridícula inserção da “Lança do Destino” na história, teoricamente a lança atirada em Jesus, que atualmente dá poderes inimagináveis aos que a tocam. Uma bobagem que só faz cansar o espectador, pois não há qualquer importância no artefato. Tal como cansa tentar adivinhar a função de cada um dos inúmeros personagens que aparecem na tela, sem uma explicação anterior de seu envolvimento com John Constantine.

O que salva Constantine é, sem dúvida, o competente elenco que acompanha o protagonista. Especialmente as participações de Tilda Swinton, com a excelente interpretação do andrógino arcanjo Gabriel, e Peter Stormare, representando um Satanás mau, integro e honrado. Performances raras para um filme do gênero. Além disso, não há qualquer dúvida de que o diretor Francis Lawrence, que até então só fez clipes musicais, aprendeu seu ofício e conseguiu realizar um filme de ação com ritmo acelerado, perfeito para o que se esperava.

No saldo final, Constantine tem suficientes virtudes para passar duas horas entretendo os espectadores. Ao mesmo tempo, possui suficientes falhas para fazê-los perder a paciência. E, definitivamente, será mais bem recebido por aqueles que não conhecem sua versão impressa.

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