Hora de Voltar

Ficha técnica


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Sinopse

Há muitos anos longe de casa, Andrew (Zach Braff) volta para o enterro da mãe. A viagem é uma oportunidade para rever os velhos amigos da escola, acertar antigas mágoas com o pai e conhecer uma garota, Sam (Natalie Portman).


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

10/03/2005

O melhor que se pode dizer do filme é que tem o coração no lugar certo. Hora de Voltar é sobre ser jovem, crise do final dos 20 anos, culpa, acerto de contas com o passado, mudança e possibilidades de futuro. Tudo que interessa na vida emocional, enfim.

Para um filme de estreante, acumulando as funções de diretor, roteirista e diretor (Zach Braff), é notável como a história se abandona num ritmo manso, para contar-se sem pressa, detendo-se nos momentos que lhe interessam e que não são exatamente as escalas-clichê dos vôos rasos da média da produção cinematográfica que se vê por aí. Não há montagem rápida, exceto numa breve seqüência que ilustra o consumo de drogas, onde se justifica plenamente. Zach Braff quer contar uma história que parece intensamente pessoal (mesmo que não seja autobiográfica) com tanta paixão que são plenamente perdoáveis alguns pequenos excessos de auto-indulgência que deixa escapar aqui e ali. Sem eles, o filme fluiria ainda melhor. Mas nenhum tem potencial para destruir o brilho deste filme, que pulsa uma energia sincera, do tipo que parece ser impossível falsificar.

Como retrato de geração, Hora de Voltar mantém o foco. O vazio da vida dos amigos de Andrew (Zach) que ficaram em New Jersey é gritante e aí não há Ecstasy que resolva. Nenhum dos personagens parece artificial. Pelo contrário, eles têm recheio de vida real, emoções divididas e até uma dor autêntica. Nem por isso, o diretor esbarra em nenhuma solenidade. E olhe que ele está falando de um jovem que volta à cidade natal para o enterro da mãe, paraplégica depois de um acidente que ele provocou quando criança, pelo qual o pai (Ian Holm) o culpa surdamente. Ainda assim, mantém-se uma certa leveza falando disso tudo e também dos problemas de Pam (Natalie Portman), a namorada, e dos amigos e suas famílias. Uma leveza que corresponde à idade dos personagens, numa fase de intensa capacidade de recuperação, mesmo diante de perdas tão poderosas.

O retrato deste pai, psiquiatra que durante anos entupiu o filho de remédios, é talvez um pouco duro demais. Mas, no geral, e neste personagem também, Zach não folcloriza as famílias. Disfunções, quem não tem? No mundo real, as pessoas têm mães paraplégicas, empregos entediantes, epilepsia, tios excêntricos, dificuldade de comunicação. Ainda assim, Hora de Voltar parece um lugar onde pessoas de verdade poderiam existir, o que também se deve ao trabalho do bom elenco.

Hora de Voltar tem personalidade própria. Não é o mundo bizarro de Todd Solondz. Nem o mundo artificial de Wes Anderson. E, se ainda não chega ao coração profundo de Paul Thomas Anderson, Zach Braff parece credenciado para algum dia chegar lá.

Com vários prêmios de melhor primeiro filme e/ou diretor iniciante (Independent Film Awards, National Board of Review, festivais de Chicago, Florida e Phoenix, entre outros), Hora de Voltar venceu também um merecido Grammy de melhor compilação de trilha sonora para filme ou TV. Nessa trilha, o destaque é a cristalina canção The Only Living Boy in New York, de Simon e Garfunkel que, em 1967 como hoje, estende uma ponte para a procura da vida plena de cada geração.

Neusa Barbosa


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