O Vôo da Fênix

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Sinopse

Sobreviventes de um acidente aéreo no deserto da Mongólia unem esforços para colocar o avião de volta no ar e voltarem para casa.


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Crítica Cineweb

03/03/2005

Alguns filmes parecem ter como objetivo ser uma espécie de instrumento de auto-ajuda para os espectadores. Esse é o caso de O Vôo da Fenix, que chega às telas como uma lição de garra e perseverança para os espíritos inquietos e descrentes. Afinal, o recado é claro: a união e a confiança podem superar tudo, embora pareça impossível.

Basta entender um pouco a história para não ter qualquer dúvida. Livremente baseada na obra homônima de Elleston Trevor, a produção conta a história do capitão Frank Towns, que é enviado ao deserto de Gobi, Mongólia, para resgatar uma equipe de profissionais de uma empresa petrolífera. Eles querem fechar uma estação no local e mandam um aviador experiente para o feito, já que a região é perigosa e as chances de acontecer um desastre são inversamente proporcionais ao talento do piloto.

No entanto, quando enfim conseguem resgatar a todos, incluindo aí o misterioso Elliot (Giovanni Ribisi), que não é da companhia mas estava na região, o avião é pego por uma tormenta. O acidente deixa-os sem comunicação e os sobreviventes correm risco de vida (algo como Sobreviventes, 1993, mas sem canibalismo deste). A idéia, dada por Elliot, é construir um avião menor com as peças ainda úteis do anterior. Aí está a Fênix, renascida das cinzas.

É válido lembrar que O Vôo da Fênix é uma refilmagem (o que geralmente não dá certo) do clássico de 1965, dirigido por Robert Aldrich, que parece ter sido mais fiel ao livro. Afinal, o roteirista desta nova versão, Scott Frank (Minority Report), fez mudanças significativas na trama, a começar pelo deserto, que no livro e no primeiro filme é o Saara. Outro diferencial importante é a presença feminina no elenco, Kelly (Miranda Otto), que provavelmente traria novos rumos à história, mas que não é trabalhado aqui.

O esforço dos sobreviventes, incluindo a transformação pessoal de cada um deles, dá fôlego ao filme. Por isso, pensá-lo como um exemplo de vida para aqueles que precisem de auto-ajuda é mais do que apropriado. É mantido também, diga-se, um percentual de homenagem, já que o maior articulador para sua produção é William Aldrich, filho de Robert Aldrich.

Evitando comparações com o filme anterior, ou mesmo o livro, O Vôo da Fênix peca em alguns pontos importantes. O primeiro é o de chamar o irlandês John Moore para dirigir esta refilmagem. Quem assistiu ao Atrás das Linhas Inimigas (2001) percebe sua competência em cenas de ação, aprendida provavelmente nos comerciais sobre videogame que dirigia para a empresa Sega. O problema é que se trata de um filme mais sensível às mudanças dos protagonistas, algo além das virtudes do jovem diretor.

Outro ponto fundamental é a escolha do elenco, já que os atores não convencem como pessoas desesperadas no deserto - talvez porque seja inconcebível pensar o fato como verídico nos dias atuais. Dennis Quaid, o rosto mais conhecido aqui, não engana o espectador mais atencioso, tal como Miranda Otto (da trilogia do Senhor dos Anéis). Tudo, enfim, parece jogado (mesmo a sofrível trilha sonora, que parece ter sido escolhida a esmo) e mal representado. Pelo menos, o filme não é dedicado a Robert Aldrich, que não teria gostado do saldo final. Fica apenas a mensagem positiva de crescimento interior.

Rodrigo Zavala


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