Espanglês

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País


Sinopse

Flor (Paz Vega) é uma imigrante mexicana que consegue emprego na casa dos complicados Clarsky (Adam Sandler e Tea Leoni). Sem querer, a bela doméstica vai ensinar umas coisinhas sobre família para os gringos.


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Crítica Cineweb

03/03/2005

Não são poucas as pessoas que se aproximam dos filmes de Adam Sandler com um certo medo – exceto com Embriagado de Amor, mas esse é mais um filme de P. T. Anderson do que de Sandler. Para essas pessoas, a boa notícia é que Espanglês pouco soa como uma típica comédia à la Adam Sandler – o que, na verdade, é uma má notícia para os fãs do ator. Aliás, há pouco de comédia no filme. Nem há piadas de baixo calão, escatologias e o jeito aparvalhado de Sandler tem a ver com o personagem. A razão disso é que por traz está James L. Brooks (Melhor é Impossível, Laços de Ternura, Nos Bastidores da Notícia), um dos poucos diretores hollywoodianos com talento para humanizar até o mais estranho personagem – pense em Jack Nicholson em Melhor é Impossível.

Ainda para a alegria de muitos, Espanglês não é sobre o personagem de Sandler. Alegria para uns, decepção para outros, o personagem central é Flor (vivida pela incendiária Paz Vega, que aqui está mais recatada até). Ela é uma mexicana que imigra para os Estados Unidos. Sem saber falar inglês, é com a ajuda da prima, que está lá há mais tempo, que consegue um emprego numa casa chique dos Clarsky, em Bel-Air – onde parecem morar todos os ricos, chiques, famosos e praticantes de cooper dos EUA.

Convidada para trabalhar na casa de praia da família durante as férias em Malibu, Flor é forçada por Deborah Clarsky (Tea Leoni) a levar a sua filha de 12 anos, Cristina (a excelente Shelbie Bruce). Deborah acaba se encantando com a menina – e começa a interferir na vida e educação da garota, para a alegria de Cristina e desespero da mãe. Quando lida com essa estranha relação, o roteiro de Brooks toca em temas complicados como identidade cultural de imigrantes e uma mea culpa social que parece invadir a Califórnia.

Ao mesmo tempo, o elo mais forte de Flor com os Clarsky é o patriarca John (Sandler), um estranho chef que tem uma reação nada ortodoxa ao receber uma crítica ultrafavorável, dizendo que ele é o melhor dos Estados Unidos. Impedida de embarcar numa discussão tanto com Deborah (para dizer quem ‘manda’ em Cristina) quanto com John (para descobrir se estão apaixonados ou não) por causa da barreira lingüística, Flor decide fazer um curso intensivo de inglês, e parar de usar a filha como intérprete.

A língua ‘espanglesa’ então funciona como uma metáfora da incomunicabilidade entre as pessoas, ou mesmo da necessidade de abertura para entender e se comunicar com o outro. Entre Flor e John, é claro, surge um delicado romance – que, surpreendentemente, é convincente, mesmo quando uma das caras-metades é Adam Sandler. Seu aparvalhamento cai como uma luva, num sujeito passivo dominado pelas mulheres de sua vida, seja ela a esposa, a empregada ou a sogra (vivida pela veterana Cloris Leachman).

O que mais encanta em Espanglês é a enorme humanidade que Brooks conseguiu trazer para os seus personagens. Nem a direção televisiva e burocrática dele (todo diálogo tem contra-plano, por exemplo) consegue atrapalhar esse mundo de caos familiar que é, aos poucos, ajeitado inconscientemente pelo elemento estranho, a empregada mexicana.

A lindíssima Paz Vega (Lucia e o Sexo, Fale com Ela) estréia no cinema norte-americano e se saí bem melhor do que sua conterrânea Penélope Cruz, cujo primeiro trabalho em inglês é o desastroso Capitão Corelli. A maior surpresa está nas mãos de Tea Leoni, como Deborah, uma fábrica de neurose e personalidades que faz Nicholson em Melhor é Impossível parecer uma pessoa normal. Como bom observador do comportamento humano que Brooks é, a personagem nunca cai na caricatura – embora seja irritante às vezes, mais culpa da direção do que dela. Mas ela apenas é uma pessoa de bom coração que nunca teve os limites e as chances certas na vida, e agora não sabe o que buscar.

Espanglês é uma homenagem à família numa época em que valores familiares andam fora de moda. Sem ser careta, quadrado ou de extrema direita (está mais para uma fantasia liberal), o filme mostra que alguns pais fazem os maiores sacrifícios por amor aos filhos, e, no final, isso conta muito. E Brooks, mesmo com seus vícios, mostra que é possível fazer um filme popular sem insultar a inteligência da platéia, algo raro nos dias atuais e que no final, também conta muito.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 16/03/2011 - 01h33 - Por MARIA CAROLINA DAMASCENO NENHUM SITE FALA SOBRE OS DEMAIS PERSONAGENS DO FILME, TODOS TEM SUAS NEUROSES EIS UMA DÚVIDA DE MUITOS INTERNAUTAS!
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