Confidências Muito Íntimas

Ficha técnica


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Sinopse

Mulher casada em crise (Sandrine Bonnaire) entra por engano no escritório de um consultor (Fabrice Luchini). Pensando que é um psicólogo, confessa seus sentimentos mais íntimos. Ele não sabe como sair do equívoco e os dois se envolvem.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

03/03/2005

Se há uma coisa peculiar no diretor francês Patrice Leconte, é a procura de inusitadas histórias de amor. Os romances – e amizades – de Leconte são complicados mas sempre impregnados por uma fina camada de energia – e por aí se abre a porta que permite compreender o segredo. Antes de compreender, porém, o espectador será lançado num carrossel aonde a cada passo recebe uma senha para prosseguir adiante. No reino de Leconte, é preciso estar disposto a não seguir as pistas mais óbvias. Seus personagens sempre encontram um meio original de andar pela vida. Quem é normal, não o será por muito tempo.

Normal até demais era a vida do consultor tributário William Faber (Fabrice Luchini) até o dia em que entra pela porta de seu escritório uma bela mulher, Anna (Sandrine Bonnaire). Confundindo-o com o analista que atende no mesmo andar, a moça derrama-se em confissões bastante delicadas sobre sua vida e o casamento em perigo. Quando ela sai pela porta, prometendo voltar para a segunda sessão, William sabe tudo, menos como lidar com o delicioso equívoco.

A primeira expectativa que Anna desmonta é a lógica. E, para o contido William, esta que era a base de seu mundo de impostos e cifras começa a ruir. Começa um jogo entre ele e a misteriosa mulher que não se interrompe nem quando ele, a contragosto, confessa-lhe que não é terapeuta. Um jogo que tem a ver com falar e ouvir e que é poderosamente erótico, embora não se traduza em contato físico.

Há um discreto clima de mistério amarrando as cenas, com música de forte inspiração hitckcockiana, nada por acaso. Leconte pretende mesmo instalar uma atmosfera de filme noir, até com a sugestão de violência e crime que surge a partir da figura de um marido ameaçador (Gilbert Meki). Quando muito, Leconte se propõe a ser detetive da alma. E cria uma história de amor, contando com uma sintonia de atores que poucos como ele sabem obter. Fabrice Luchini supera sua habitual veia cômica nesta primeira vez em que trabalha com o diretor, mostrando nuances qualificadas no papel deste ouvinte inveterado. Sandrine Bonnaire, que já trabalhara com Leconte em Um Homem Meio Esquisito (Mr. Hire), assume uma têmpera refinada ao entrar na maturidade. Parece uma nova Deneuve em seu misto de sugestão e mistério, entrega e reserva, sensualidade e fúria.

Neusa Barbosa


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