Menina de Ouro

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Crítica Cineweb

15/02/2005

Há um bom motivo pelo qual Menina de Ouro é um dos filmes mais premiados de 2004. Além das sete indicações para o Oscar (filme, diretor, ator, atriz, ator coadjuvante, roteiro adaptado e montagem), o longa já ganhou diversos prêmios, entre eles, dois Globos de Ouro (atriz e diretor), o prêmio do Sindicato dos Diretores, um do National Board of Review, prêmio de melhor atriz e ator coadjuvante do Sindicato dos Atores, além de ficar na lista dos melhores do ano passado de vários jornais e revistas, entre elas Première e Entertainment Weekly.

O que o diretor, ator e compositor Clint Eastwood fez foi ir um passo além do que já havia feito com maestria em 2003 com Sobre Meninos e Lobos. Com Menina de Ouro, ele traça um delicado mapa das emoções humanas tendo como pano de fundo o boxe. O roteiro de Paul Haggis (que até então tinha em seu currículo filmes pouco vistos e séries de TV) é baseado na antologia de contos Rope Burns: Stories from the Corner, de Jerry Boyd (publicada sob o pseudônimo de F. X. Toole), um veterano empresário de boxe e cutman. A figura do cutman, aliás, tem um papel de extrema importância nas lutas de boxe e nesse filme: é o homem que vai em socorro do lutador quando este tem algum corte sangrando, para que o esportista possa voltar ao combate.

Uma das primeiras frases de Menina de Ouro é de Eddie Scrap (Morgan Freeman) dizendo que Frankie Dunn (Eastwood) é o melhor cutman que ele já conheceu. E as imagens provam isso, mostrando um lutador com um corte enorme no rosto sendo atendido por Frankie, que, aliás, lhe dá dois valiosos conselhos: ganhar a luta e não perder o olho. Embora isso possa parecer desnecessário, quando Eddie realmente entra em cena, dá para entender a preocupação do cutman.

Eddie foi um dos mais promissores lutadores de seu tempo. Porém, sua carreira acabou quando ele perdeu uma vista. Agora, ele trabalha com Frankie em sua academia. E aí que chega Maggie Fitzgerald (Hilary Swank) em busca de um treinador. Uma jovem garçonete, de 31 anos, que busca no boxe, a sua grande paixão, uma chance na vida. E ela tem certeza de que pode vencer. Frankie se mostra arredio e não se interessa em treinar a moça. Diz que treinar lutadoras não é o seu negócio, e, além de tudo, ela está 'velha demais' para começar uma carreira. No entanto, ela continua a ir diariamente à academia e treina sozinha. Será Eddie quem o convencerá a acolher Maggie debaixo de sua asa.

E eles descobrem que ela estava certa. Com muita determinação e coragem, Maggie se torna uma das melhores boxeadoras de todos os tempos. Mas Menina de Ouro não é exatamente o típico filme de boxe, como Rocky, por exemplo. Este é um filme sobre escolhas, renúncias, opções de vida e opções na vida.

Muito da força deste longa certamente se deve à presença de Eastwood dos dois lados da câmera. O que se vê na tela é a figura já icônica do ator, durão que com sua aura de gravidade sugere uma presença mais poderosa do que uma mera atuação. O que não se vê nas telas - mas é sentido a cada cena - é a segurança e a técnica que Eastwood domina como diretor. Com a ajuda da competente edição de Joel Cox (com quem já trabalhou mais de uma dezena de vezes) o cineasta não desperdiça nenhuma cena, nenhuma fala. Tudo o que se vê na tela tem um motivo de existir, adicionando emoções e sensações à platéia. Muito da força do longa também vem da trilha sonora minimalista, também composta por Eastwood, que aparece apenas de vez em quando e por isso mesmo é devastadora.

Já era hora de Hilary Swank ganhar outro papel digno de seu talento. Há algo de mágico nessa moça, por natureza, mas ela fica ainda mais iluminada toda vez que coloca um par de luvas, sobe num ringue de boxe e leva suas adversárias à lona. Com ferocidade e energia, ela nocauteia não só suas adversárias, mas também leva a platéia à lona com a sua performance sensível e poderosa.

A relação entre Frankie e Eddie vai traçando os parâmetros da história de Menina de Ouro. Sentindo o peso de diversas culpas que foi juntando ao longo da vida, Frankie tem em Eddie uma espécie de consciência - apesar deste também ser uma das cruzes que o treinador carrega, além da filha com quem ele perdeu o contato há alguns anos. Freeman constrói seu personagem de forma delicada. Falando baixo e tranqüilamente, ele consegue convencer Frankie a treinar Maggie, entre outras coisas.

Partindo do princípio de que seus personagens podem (ou não) triunfar frente às adversidades, Menina de Ouro mostra que não há vitórias fáceis e nem sempre se pode esperar a redenção. A culpa pode ser um mal que carregamos para o resto da vida. Com isso, Eastwood prova que é capaz de intertextualizar sua música em seu filme, fazendo sua obra mais poderosa, aliás. Menina de Ouro é melancólico e sombrio como um jazz que fica reverberando por anos a fio nas mentes e corações de quem tem a sensibilidade de a ele se entregar.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 07/06/2010 - 16h53 - Por Gleycy Danzyan menina de ouro é um dos melhores filmes que já inventaram.Merecedor de cada premiação conquistada.
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