Desventuras em Série

Ficha técnica

  • Nome: Desventuras em Série
  • Nome Original: Lemony Snicket's A Series of Unfortunate Events
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2004
  • Gênero: Aventura
  • Duração: 108 min
  • Classificação: Livre
  • Direção:
  • Elenco:

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Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

17/01/2005

Uma fina ironia, efeitos especiais abundantes e um trio de intérpretes infantis decididamente encantadores são as principais razões para ver este filme, em princípio, destinado ao público infantil - embora o sentido gótico da história e da ambientação deixem bem claro que não é indicado aos tão pequenos.

Na tela, é verdade, há uma figurinha bem pequena - a encantadora Sunny (interpretada alternadamente pelas gêmeas Kara e Shelby Hoffman). O bebê é a caçula dos irmãos Baudelaire, que inclui ainda a primogênita Violet (Emily Browning) e Klaus (Liam Aiken). Antes felizes, os meninos ficaram órfãos num misterioso incêndio na mansão Baudelaire, matando seus pais. Tragédia o bastante, mas que provoca outra - sua guarda é entregue a um parente distante, ambicioso e disposto a matá-los para ficar com sua fortuna, o conde Olaf (Jim Carrey).

Estabelecido o conflito básico, que deve muito a histórias de Charles Dickens e tem até um quê de Harry Potter, o filme desenvolve-se em cima dos personagens e da ambientação - que tem muito de Tim Burton, por ter sido elaborada por alguns de seus colaboradores freqüentes (como o desenhista de produção Rick Heinrichs e a figurinista Colleen Atwood). Pena que não tenha sido Burton e sim Brad Silberling (de Gasparzinho e Cidade dos Anjos) a dirigir o filme, que se baseia na série de livros Desventuras em Série, do escritor americano Daniel Handler, que se assina, aliás, Lemony Snicket (seu alterego). Com certeza, Burton teria mais sutileza para extrair a beleza e o humor de uma narrativa gótica, como demonstrou de sobra no seu sub-valorizado Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas.

No filme de Silberling, em todo caso, salva-se com méritos o charmoso trio Baudelaire, que leva uma desvantagem em relação a Harry Potter, já que não tem poderes mágicos para safar-se de seus problemas. Mas tem talentos compensatórios: Violet é uma inventora habilidosa, Klaus lembra de cada linha dos muitos livros que leu e os dentinhos mágicos de Sunny são capazes de fazer milagres em determinadas situações. Com Harry Potter, a história compartilha uma visão um bocado sombria da infância. Porém, até mais do que nos filmes do bruxinho de J.K. Rowling, aqui os adultos mostram-se completamente inadequados para proteger as crianças. Os bons, como tio Monty (Billy Connolly) e tia Josephine (Meryl Streep), assim como a juíza (Catherine O'Hara), a polícia, e o guardião legal da fortuna dos Baudelaire, o sr. Poe (Timothy Spall), são de uma ineficiência criminosa diante de um vilão tão patético quanto o conde - interpretado por um Jim Carrey demasiado solto em seus habituais excessos, de caras, bocas e até maquiagem.

A diversão maior vem dos momentos de suspense - como quando os meninos são presos pelo conde num carro fechado na linha do trem ou quando a pequena Sunny está encerrada numa jaula no alto de um prédio. O humor, aqui, é irônico, por isso, não se esperem gargalhadas. Quem sintonizar com esse mal-estar moderno da infância-quase-adolescência, vai vestir a camisa dos intrépidos Baudelaire e torcer para que nos próximos capítulos da cinessérie, se houver, alguém ponha o conde Olaf numa masmorra e jogue fora a chave.

Neusa Barbosa


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