Robôs

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Sinopse

Rodney Lataria é um jovem robô inventor que vai para Robópolis em busca do Grande Soldador para ajudá-lo em suas invenções. No entanto, ele descobre que quem manda agora é Dom Aço, que pretende fazer um upagrade das máquinas. Quem não puder se atualizar vai para o ferro velho.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

17/03/2005

Em um futuro distante, ou em um outro planeta, são os robôs quem mandam. Em outras palavras, não existem humanos. Mas as máquinas pensam e agem como gente. Assim é o universo da animação Robôs, dirigida por Chris Wedge e pelo brasileiro Carlos Saldanha (o mesmo time de A Era do Gelo). Apesar da animação requintada, o roteiro do filme é mais reciclado do que muitos de seus personagens, e, consequentemente, fazendo dele mais um filme para crianças do que para pais e filhos.

Talvez isso seja culpa da Pixar. Afinal, com jóias como os dois Toy Story (95 e 99), Monstros S.A. (01), Procurando Nemo (03) e, mais recentemente, Os Incríveis (04), o estúdio provou que é possível aliar animação de ponta com um roteiro inteligente e divertido, que consegue dialogar com toda família. Robôs, por sua vez, acaba sendo um paradoxo. Uma animação tão sofisticada e bem trabalhada, muitas vezes é desperdiçada num roteiro tão pouco ousado e criativo.

A sensação que se tem é de que o que possivelmente está no subtexto do filme, como uma crítica à sociedade de consumo, à modernização desenfreada, está mais na boa vontade de quem vê o filme, do que algo planejado. Uma espécie de acidente de percurso que deu certo. E o excesso de referências à cultura pop, como O Espanta Tubarões, soa mais como uma crise de identidade, do que uma qualidade. Os dois roteiristas e os dois criadores da história poderiam ter criado uma espécie de mitologia própria, ao invés de pegarem emprestado momentos de vários filmes, como Cantando na Chuva e 2001: Uma Odisséia no Espaço. As referências acabam sendo um desperdício, uma vez que o público-alvo pode não entendê-las.

Não que Robôs seja ruim de todo. Até há uns bons momentos no início, principalmente quando fala da reprodução, mas dez minutos depois, o roteiro se afrouxa. Também, para piorar, entra Robin Williams dublando o Manivela (na versão orginal), um dos personagens principais. O ator já provou que fazer um robô não é o seu forte – basta ver O Homem Bicentenário.

Manivela é o primeiro amigo do inventor Rodney Lataria (voz de Ewan McGregor) que vai para a Robópolis em busca do Grande Soldador (Mel Brooks) para mostrar algumas de suas criações. Mas chegando lá descobre que a empresa de invenções é regida por Dom Aço (Greg Kinnear), que está fazendo um upgrade dos robôs. Quem não tiver dinheiro para se modernizar sai de circulação e vai para o ferro velho.

Manivela, assim como o pai de Rodney, está ficando velho, e já não encontra mais peças para reposição. O destino deles, assim como de outros milhares, é terminar no ferro velho. Nesse ponto, Robôs pode estar ensaiando uma discreta crítica ao sistema ditatorial de Hollywood, onde o que conta é a juventude e a beleza. Por isso, tantas ‘estrelas’ se submetem ao bisturi, ou seja, o upgrade.

O visual do filme parece ter sido inspirado nas décadas de 50, na época em que os eletrodomésticos começaram a se tornar popular – por isso os personagens até têm a cara dessas parafernálias. Agora, o metal substitui a água (que foi bem convincente em Procurando Nemo e O Espanta Tubarões) no desafio de parecer real em animações. E, nesse quesito, o longa consegue fazer sucesso.

Como um todo, esse ‘nós, robôs’ é artificial demais. A tentativa de transformar máquinas frias e insensíveis em criaturas humanizadas e bonitinhas causa uma certa estranheza. Como eles chegaram aonde chegaram? Como se humanizaram? Teriam eles se inspirado na máquina assassina de Eu, Robô? Talvez essas perguntas poderiam se respondidas apenas por Hal-3000, aquele computador com vontade própria de 2001: Uma Odisséia no Espaço.

Alysson Oliveira


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