O Expresso Polar

Ficha técnica

  • Nome: O Expresso Polar
  • Nome Original: The Polar Express
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2004
  • Gênero: Animação
  • Duração: 100 min
  • Classificação: Livre
  • Direção:
  • Elenco:

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Crítica Cineweb

19/11/2004

Com O Expresso Polar, o diretor Robert Zemeckis chega um passo mais perto da criação de atores virtuais - uma tentativa que falhou vergonhosamente em Final Fantasy (2001), produzido pela Sony. Desta vez, a técnica utilizada é conhecida como Performance Capture (captura de performance). Essa novidade possibilita captar os menores movimentos dos atores e transformá-los em animação. Ao menos é isso que o diretor e sua equipe juram.

Se a sabedoria popular está certa, e 'os olhos são as janelas da alma', os personagens dessa animação são zumbis ambulantes. O fato é que não é possível colocar sensores na parte interna dos olhos dos atores para capturar a performance, por isso, eles acabam tendo olhares parecidos com os do boneco Chuck, da série de filmes de terror O Brinquedo Assassino. Movimentos muito sutis do rosto não são possíveis de serem captados, assim como simpatia e a docilidade dos personagens não são possíveis de serem feitas em computador. Tudo isso faz de O Expresso Polar um filme que tem o frio dos pólos - embora tente ser emocional, sempre soa esquemático e gélido.

O roteiro é vagamente baseado no livro homônimo de norte-americano Chris Van Allsburg, que ganha sua primeira edição em português na época do lançamento do filme. Publicado originalmente em 1985, o livro conquistou fãs ardorosos em todo o Estados Unidos, além de ganhar alguns prêmios. Mas o roteiro, escrito por Zemeckis e William Broyles Jr. (que já haviam trabalhado juntos em Náufrago) utiliza apenas a primeira e a última frase da publicação, o resto vem tudo da cabeça dos dois roteiristas. Dessa forma, O Expresso Polar deixou de ser uma fantasia natalina para se tornar um filme de aventura, perdendo assim boa parte de seu encanto. A seu favor, Zemeckis manteve a bela paleta a os traços seguros de Van Allsburg. Mas, o que funcionava em imagens estáticas do livro, acaba perdendo o seu efeito na correria do filme.

O Expresso Polar conta a história de um menino (cujos movimentos foram capturados da performance de Tom Hanks, e a voz é feita por Daryl Sabara, da série Pequenos Espiões) que está deixando de acreditar em Papai Noel. Numa véspera de Natal, um expresso mágico pára em frente à sua casa, e ele é convidado pelo Condutor (também Hanks) para subir no trem e ir rumo ao Polo Norte, conhecer o Bom Velhinho em pessoa.

Depois de uma certa dúvida ele acaba subindo na composição. Contrastando com a neve que cai do lado de fora, dentro do expresso é quentinho e aconchegante -essas imagens, vindas diretas do livro de Van Allsburg são algumas das melhores do filme. Diversas crianças já estão dentro do trem também indo para o Pólo Norte - onde a vida de todos eles irão mudar.

O Pólo Norte é aquele de sempre dos filmes de Natal. Papai Noel mora lá com seus elfos que trabalham felizes na fábrica de brinquedos. O resultado é uma mistura de Metroplis, de Fritz Lang, com A Fantástica Fábrica de Chocolate, com os duendes fazendo as vezes dos Oompa Loompas.

O Expresso Polar não é nada recomendado para os desafetos de Tom Hanks - é impossível ver um filme sem se ter uma overdose do ator. Ele 'interpreta' cinco personagens. Além do garoto e do condutor, ele faz o pai do menino, um mendigo e, claro, o Papai Noel. Afinal, após fazer tanto personagem mortal, ele não iria deixar o melhor de todos para um outro ator. Não se pode dizer que ele tenha uma interpretação diferente para cada um, mas, mesmo assim, eles são diferentes. O condutor é o mais parecido com o Hanks de verdade, não fisicamente, mas nos trejeitos e maneirismos de 'interpretação'.

O Expresso Polar é uma animação infantil que, como Capitão Sky e o Mundo de Amanhã, mais vale por seus dotes técnicos do que dramáticos. E daqui a uns anos, da mesma forma que as crianças do filme estão deixando de acreditar em Papai Noel, talvez os espectadores vão deixar de acreditar em atores de verdade - esse será o novo milagre de Natal.

Alysson Oliveira


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