Dança Comigo?

Ficha técnica

  • Nome: Dança Comigo?
  • Nome Original: Shall We Dance?
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2004
  • Gênero: Romance
  • Duração: 106 min
  • Classificação: 12 anos
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Crítica Cineweb

19/11/2004

De vez em quando alguém tem uma idéia ruim em Hollywood, e ninguém faz nada para impedir que esta se concretize. A idéia ruim - na verdade, péssima - da temporada é o remake do filme japonês Dança Comigo? (1996), que fez sucesso tanto no Japão como nos Estados Unidos. De início, refilmar essa comédia romântica talvez nem fosse o grande problema, mas quem fez o casting dessa nova produção não teve uma idéia ruim, mas três idéias terríveis.

Há coisas que simplesmente não funcionam: Richard Gere no papel de um homem que ninguém nota; Jennifer Lopez fazendo uma professora de dança melancólica; e Susan Sarandon como uma esposa negligenciada. Há também a direção insípida de Peter Chelson (Escrito nas Estrelas), para fazer todo mundo errar a coreografia.

Gere é John Clark, um advogado que tem uma ótima vida, com uma família perfeita ao lado da mulher Beverly (Susan), mas que anda deprimido. Todos os dias ao voltar do trabalho ele pega o mesmo trem e todos os dias passa em frente à mesma escola de dança. Nada de novo. Até que ele percebe uma bela moça tristonha com olhar perdido parada na janela. Mais tarde, descobrirá que ela é Paulina (Jennifer), uma professora de dança.

Depois de passar em frente à escola várias vezes, ele desce do trem na primeira estação e vai até lá. Acaba se matriculando para ter aulas de dança de salão, só para estar mais próximo da bela professora. Como seria fácil se tudo fosse dois para cá, dois para lá. Quando está prestes a dar uma cantada na bela instrutora ele ouve uma frase que merece entrar para a história do cinema. "Eu não socializo com alunos", diz Paulina da forma mais cortante possível.

Mas, a essa altura, John já está mais apaixonado pela dança do que pela instrutora - e bailar é o seu lema. Isso resulta em algumas dos momentos mais constrangedores do filme, quando John dança sozinho e sem música pela rua, pela estação enquanto aguarda o trem, pela vida.

Beverly também notou algo de estranho no marido ultimamente. A ponto de procurar um detetive para descobrir se ele está tendo um caso. Entre uma pisada no pé e outra, o roteiro dá uma reviravolta, quando, no final das contas, é uma ode matrimonial e não uma comédia romântica. Mas, incluir novos elementos no roteiro, como a reação da mulher, não contribui em nada, porque o que realmente falta ao remake é um pano-de-fundo cultural.

Para um filme que não chega nem a duas hora, há coadjuvantes e tramas paralelas demais - o que resulta num amontoado de estereótipos ao invés de seres humanos. Há o amigo vivido por Stanley Tucci, que adora dançar, mas tem vergonha disso; há o colega de aulas homofóbico; há a dona da escola alcoólatra, que está perdendo alunos para o concorrente; há os filhos moderninhos. E por aí vai.

Gere está bem menos carismático e saltitante do que em Chicago. John não é o tipo de personagem para ele - falta, na verdade, uma certa timidez, um retraimento, que o ator nem se quer consegue fingir. Já Jennifer, quando não está dançando, está fazendo cara de deprimida. Ela, como atriz, não convence como uma pessoa que se isola e tente passar despercebida.

Tanto o filme norte-americano quanto o japonês falam do poder da auto-descoberta e de expressar o 'eu interior'. Porém, no original há o subtexto da cultura e tradições nipônicas. Dançar de corpo colado, como é necessário na dança de salão - mesmo marido e mulher - é considerado vergonhoso na tradição japonesa. Portanto, os alunos estão, na verdade, expressando a seu descontentamento e desafiando as regras de uma sociedade rígida. O que não é o caso na versão ocidental - onde dançar com uma outra mulher acaba sendo combustível para revigorar o casamento.

Alysson Oliveira


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