Sob o Domínio do Mal

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Em 1991, durante a operação Tempestade no Deserto, um grupo de soldados cai numa emboscada e é capturado por inimigos no Kwait. O grupo fica desaparecido por uns dias e é quase milagrosamente salvo por um sargento. Alguns anos depois, todos os envolvidos no episódio enfrentam um mistério.


Extras

Comentários em áudio do diretor e roteirista
Por dentro de Sob o Domínio do Mal
Cenas inéditas ou ampliadas
Cenas extras
Teste de filmagem de Liev Schreiber
Opiniões políticas


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

08/11/2004

O cineasta Jonathan Demme assustou muita gente quando em 2003 disse que iria refilmar o clássico Sob o Domínio do Mal (1962), de John Frankenheimer. Afinal, o diretor de Filadélfia vinha de um remake muito mal sucedido de Charada, que no Brasil foi lançado direto em home video, com o título A Verdade Sobre Charlie. Demme está muito mais no seu território trabalhando com o suspense político do quando fez a comédia romântico-policial. Desde O Silêncio dos Inocentes (1991) o cineasta não fazia um trabalho tão complexo e bem-sucedido. Sob o Domínio do Mal (versão 2004) entra para o hall das raras refilmagens que têm algo a acrescentar e não envergonham o filme original.

O roteiro escrito por Daniel Pyne e Dean Georgaris toma como base não só o romance de Richard Condon, publicado em 1959, mas também o script do primeiro filme, adaptado por George Axellrod. Os tempos são outros - mas as motivações e atos de vários personagens são mantidos intactos. Como o político que no primeiro filme quer livrar a América da ameaça comunista, e agora, no século XXI, pretende pôr um fim na ameaça terrorista. O texto vai além de uma mera adaptação, transformando-se numa atualização dos temas, mantendo-se as bases originais, como a lavagem cerebral e o jogo de interesses políticos.

Em 1991, durante a operação Tempestade no Deserto, um grupo de soldados liderados pelo Capitão Bennett Marco (Denzel Washington) cai numa emboscada e é capturado por inimigos no Kwait. O grupo fica desaparecido por uns dias e é quase milagrosamente salvo pelo Sargento Raymond Shaw (Liev Schreiber). Por isso, ele recebe uma medalha de honra e seus feitos são contados por seus camaradas.

Alguns anos depois, a vida de ambos mudou muito. Marco é um major servindo em Washington, enquanto Shaw é um proeminente político em Nova York, filho da senadora Eleanor (Meryl Streep). Ela é quem fará as mais complexas manobras para que o filho seja escolhido para concorrer como vice-presidente.

Marco recebe uma visita de um ex-soldado de seu batalhão, Melvin (Jeffrey Wright), que diz ter estranhos sonhos ultimamente, envolvendo a emboscada e um experimento científico. Isso dá início a um estranho flashback que explica muita coisa sobre o período em que os soldados sumiram. Shaw, por sua vez, recebe um telefonema que o coloca em transe e o leva para um laboratório secreto, onde um chip será implantado em seu cérebro.

A caminho de Nova York para se encontrar com Shaw, Marco faz amizade com Rosie (Kimberly Elise) que percebe algo estranho no oficial e se oferece para ajudá-lo. Agora ele vai em busca de Shaw, para descobrir o que realmente aconteceu nos momentos em que o batalhão ficou perdido, e ressurgiu apenas após o glorioso resgate. A verdade que pode surgir dos eventos no Kwait colocará em risco os desejos políticos da ambiciosa Eleanor. Em uma cena complexa, Shaw deixa transparecer para Marco o quanto a mãe o domina e lhe faz mal, e que as ambições políticas são, na verdade, dela.

A complexa e empolgante trama política com toques de ficção científica ganha fôlego com um trio de protagonistas seguros de seus personagens. Meryl faz lembrar Hillary Clinton - embora a atriz negue qualquer referência. Mas quem acaba se destacando mesmo é o ótimo Schreiber. Considerado um dos melhores intérpretes de Shakespeare de sua geração, ele nunca teve muito interesse e participou de pequenos filmes, ou fez pequenos papéis em grandes filmes, como Kate & Leopold e A Soma de Todos os Medos. O seu personagem, o atormentado Shaw, é um dos mais complexos do filme, e a figura central que une as subtramas. Ora um político com um sorriso sedutor, ora um zumbi, ele tem tudo para ser lembrado no próximo Oscar na categoria ator coadjuvante.

As imagens de Tak Fujimoto (O Sexto Sentido) enfatizam os closes e criam um senso de claustrofobia à medida que o filme avança. A trilha sonora de Rachel Portman (Chocolate), composta de batidas militares, entra com sutileza no tema. Já a abertura - ainda com a vinheta da Paramount - ao som de "Fortunate Son", na voz de Wyclef Jean, diz ao que o filme veio.

Os principais personagens de Sob o Domínio do Mal não têm necessariamente uma sede cega pelo poder. O que eles querem - principalmente Eleanor - é transformar os Estados Unidos num país perfeito, repleto de gente feliz e saudável, nem que para conseguir isso tenha que passar por cima do resto do mundo. Dessa forma, o filme acaba sendo muito pertinente nos tempos que correm, a era Bush.

Alysson Oliveira


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança