A Nova Cinderela

Ficha técnica

  • Nome: A Nova Cinderela
  • Nome Original: A Cinderella Story
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2004
  • Gênero: Romance, Comédia
  • Duração: 97 min
  • Classificação: Livre
  • Direção:
  • Elenco:

País


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

27/09/2004

No início da década de 1980, mais precisamente em meados de 1983, um dos filmes de terror mais badalados no verão americano foi The House of Sorority Row. Rústica, com constrangedores efeitos especiais, interpretações sem garbo ou elegância, e com um roteiro de fazer rir, a produção despontou direto do anonimato para a seleta lista de clássicos do cinema B hollywoodiano.

Afinal, que fã de terror resistiria a um grupo de jovens estudantes que, ao fazer uma brincadeira, acabam matando sua diretora que volta do além para fazê-las pagar pelo crime que cometeram. Suspense, gritos e muito sangue. Ou seja, um prazer cinematográfico quase obsceno para um grupo de gosto bastante duvidoso, mas que extrai do lixo algo de suculento e digestivo.

E o que isso tem a ver com A Nova Cinderela? Nada, exceto que na metade de duas horas agonizantes de filme, perguntando-se quem conseguiu realizar tamanha proeza, surge a lembrança de Mark Rosman. Cultuado pelos fãs do trash nos anos 1980, se aventura agora, 20 anos depois, pelo tortuoso caminho das comédias românticas adolescentes. E para aumentar ainda mais seu desafio, tem que enfrentar todas as armadilhas de uma atualização de contos de fadas.

Quem acompanha esse segmento do cinema juvenil percebe que poucas vezes uma produção consegue realmente se destacar. Dos inúmeros lançamentos realizados nos últimos anos, grande parte não passa de comerciais para alavancar um punhado de atores adolescentes sem talento, mal-ajambradas protagonistas e todo o tipo de músicas populares entre jovens americanos.

Em compensação, outros surpreenderam pela simplicidade de seus enredos e pelo honesto esforço de sair dos convencionalismos do gênero. Um dos exemplos marcantes é Para Sempre Cinderela, com sua maldosamente adorável Baronesa Rodmilla de Ghent (interpretada pela sempre grande Angélica Huston) e a forte e encantadora Danielle de Barbarac (a talentosa Drew Barrymore). A mesma história, mas diferente expertise em colocá-la no papel e filmá-la.

E não é preciso chegar até aos dez minutos iniciais do filme para perceber que a mais recente produção de Mark Rosman se enquadra no primeiro caso. Sem uma única e escassa cena original, A Nova Cinderela não traz nada além de um carnaval de clichês e um sem-número de absurdos. Chega a parecer um roteiro escrito às pressas, construído a partir de pedaços de outros roteiros. Um verdadeiro "Frankenstein" teen, cuja rejeição dos órgãos é mais do que certa. Sofre o espectador.

Se ainda existe alguma dúvida, é só conferir o resumo da história. Sam ou Cinderela, como preferir, perde o pai e ganha de herança uma madrasta e duas "irmãs" que a fazem de empregada doméstica. Até aí, o convencional. Uma das únicas coisas que dão prazer a Sam é imaginar seu ingresso no ensino superior, e conversar por meio de mensagens de celular com seu grande amor anônimo.

Sua vida se torna ainda mais dramática (isto é uma impressão teórica, pois a atriz Hilary Duff não engana na pele de um papel dramático), quando descobre que seu príncipe encantado, que recita todo o tipo de poeta anglo-saxão (a única indicação de pesquisa em todo o roteiro), é Austin, o capitão do time de futebol de sua escola. Como não é popular, ela irá sofrer (mais uma vez, apenas supostamente), com sua rejeição social e terá problemas com sua insegurança.

Não deixa de ser interessante a escolha do objeto pessoal que deixará cair na escadaria do grande baile (aqui, a formatura da High School). Em vez do tradicional sapato de cristal, Sam esquecerá seu celular, numa tentativa de tornar a história mais plausível. O problema é que ela simplesmente não é plausível, mesmo assim. Quem chegar até o fim, quando tudo se resolverá em menos de dois minutos, poderá perceber isso.

Sobra então lembrar, no meio da sessão, da primeira produção de Rosman: The House of Sorority Row. Por mais que uma produção seja mal feita, é possível rir, é possível pensar que tudo que está ali é na verdade uma grande brincadeira. Ou isso, ou lamentar, como neste caso.

Rodrigo Zavala


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