A Dona da História

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País


Sinopse

Daniel Filho conta de forma bem humorada a história de uma mulher que chega à maturidade com muitos sonhos não realizados.


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Crítica Cineweb

27/09/2004

O passado e o presente literalmente dialogam na comédia A Dona da História, dirigida por Daniel Filho (A Partilha), e adaptada da peça homônima de João Falcão, por ele mesmo com colaboração de João Manuel, Adriana Falcão e do diretor. O bom momento do cinema nacional, aliado a um filme de gosto popular, que receberá boas críticas, terá um boca-a-boca positivo, além da dupla de protagonistas inspiradíssima, devem garantir bons retornos de bilheteria para essa comédia que tem tudo para seduzir não só os românticos e nostálgicos.

A vida de Carolina (na versão 2004 vivida por Marieta Severo; nos idos de 1968, por Débora Falabella) é bem diferente do que ela esperava. Isso fica bem claro durante os créditos iniciais, quando é mostrada a jovem tomando delicadas aulas de balé, intercaladas com imagens dela própria mais madura, malhando em uma academia, alucinadamente, para manter a forma. Essa foi uma forma simpática que diretor e roteiristas encontraram para mostrar que a vida muda os nosso planos, radicalmente.

A Carolina do passado é mais sonhadora. Para ela, sua vida é um filme, e ao invés de ser uma simples atriz ela quer ser a protagonista mesmo. Aos 18 anos, a menina é fruto de sua época. Apesar de ser alienada, como ela mesma confessa, vai a passeatas - e numa delas conhece Luiz Cláudio (Rodrigo Santoro), aquele que será o grande amor de sua vida. Ou não. Na verdade, Carolina não se conforma que o seu príncipe encantando apareça justamente em sua vida - é sorte demais! E, por isso, sempre surge aquela sensação do como teria sido se não tivesse ficado com ele logo de início. Até porque ele foi seu único namorado.

Mais de 30 anos depois, Carolina não é mais a mesma. O tempo e as dificuldades da vida - principalmente do relacionamento a dois - consumiram os seus sonhos. Casada com Luiz Cláudio (agora Antônio Fagundes), eles vivem no mesmo apartamento, onde criaram os quatro filhos e foram, ao menos teoricamente, felizes. Agora, sem filhos ou trabalho com que se preocupar, ele quer aproveitar a vida. Assim, decide vender o apartamento e fazer a viagem dos seus sonhos, ou seja, para Cuba, como todo bom comunista.

Porém, para Carolina essa nova fase da vida não é tão simples assim. Para começar, é difícil sair de casa para morar em um apart hotel. Além disso, Cuba passa longe do que ela chama de viagem dos sonhos. Nesse momento, em que há uma ruptura entre o casal, entra em cena a 'antiga' Carolina. Entre idas e vindas no tempo, mostrando que as opções proporcionam resultados diferentes, o roteiro vai sendo construído entorno do encontro entre as duas personagens e os diferentes momentos de uma mesma vida.

Se por um lado há uma ótima química entre os dois casais protagonistas - Marieta e Fagundes, e Débora e Santoro - o timing perfeito está nas cenas em que as duas Carolinas se encontram. Indo do confronto até o consolo, elas reexaminam uma mesma vida com muito bom humor e ternura. Dos inevitáveis 'Eu vou ser assim quando tiver a sua idade?!' e 'Como eu fui tola um dia.' ao embate de 'Você não é nada daquilo que sonhei', Débora e Marieta vão formando nuances próprias que, combinadas, resultam em um personagem humano, com quem qualquer um pode se identificar.

Com muito mais senso de posicionamento e movimentação de câmera do que em A Partilha, o diretor Daniel Filho cria um clima de fantasia entre sua dupla de protagonistas que funciona também por causa do carisma de Marieta e Débora. A bem cuidada fotografia de José Roberto Eliezer (A Grande Arte) - destacando tons quentes para o passado e pintando com cores mais outonais o presente - encontra exatidão para mostrar os sentimentos de Carolina a cada momento e como o tempo pode consumir o entusiasmo da juventude.

O dramaturgo e roteirista Falcão tem uma grande experiência em escrever comédias para TV. Produziu o roteiro de diversos episódios da finada Comédia da Vida Privada, além de O Auto da Compadecida. A dona da história foi escrita especialmente para Marieta. O texto, por sua vez, cresceu muito em relação à versão teatral. A peça consiste apenas no confronto do passado e do presente da mesma personagem. No cinema, ganhou mais conflitos e coadjuvantes e se transformou em uma das melhores comédias dramáticas românticas já feitas no Brasil.

Alysson Oliveira


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