Rei Artur

Ficha técnica

  • Nome: Rei Artur
  • Nome Original: King Arthur
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Irlanda
  • Ano de produção: 2004
  • Gênero: Aventura
  • Duração: 126 min
  • Classificação: Livre
  • Direção:
  • Elenco:

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Crítica Cineweb

10/09/2004

Ao narrar por meio de metáforas e analogias o fim do Império Romano e o nascimento do Império Britânico, a lenda do Rei Artur e dos Cavaleiros da Tavola Redonda tornou-se um mito que sempre esteve na fronteira entre o real e o imaginário. Afinal, pesquisas históricas não deixam de apontar corajosos guerreiros bretões como possíveis "Arthurs", na tentativa de provar, não só que existe uma série de pequenas verdades nos mitos, mas também para validar uma impressionante lenda de coragem, luta e igualdade.

Com variados personagens representando diversas correntes políticas econômicas e religiosas, tornou-se a história mais clássica do livro escrito por Geoffrey de Monmouth, no século XII. Conhecido como "A História dos Reis da Bretanha", esse compilado de relatos fantasiosos - quase 90% de todas as aventuras do livreto são fictícias - foi o suficiente para alimentar a imaginação de trovadores medievais e de seus ouvintes por mais de cinco séculos, com todo o tipo de escandalosa variação.

Assim, com o passar dos anos, o relato ganhou novos contextos, personagens e até missões. Por exemplo, apenas em "Le Mort d' Arthur", a mais famosa das versões criadas do mito, o triângulo amoroso entre o rei, Guinevère e Lancelot foi agregado, tal como a busca pelo Santo Graal. Uma mudança que sempre pareceu mais uma desculpa para as atrocidades das cruzadas do que algo realmente religioso. Embora a lenda católica diga que José de Arimatéia tenha ido mesmo à Bretanha, de posse do cálice.

E como não poderia deixar de ser, os historiadores de Hollywood, após terem dissecado o mito, agora tentam nos mostrar "a história real por trás da lenda". De fato, analisar se realmente estão apoiados em estudos coerentes e verdadeiros não é missão deste texto, até porque nunca é bom levar a sério as lições de história do cinema comercial. Mas, uma coisa é certa: se não encontramos algo real, pelo menos podemos ter momentos de entretenimento e, quem sabe, transpor nossa imaginação para épocas e lugares memoráveis.

Em Rei Arthur, o diretor Antoine Fuqua nos propõe a existência de um guerreiro chamado Arturius (Clive Owen), que junto aos seus companheiros Lancelot (Ioan Gruffud), Gawain (Joel Edgerton) e Galahad (Hugh Dancy), luta pelos ideais de uma Roma decadente, que domina parte da ilha. Embora todos sejam de tribos pagãs das mais longínquas regiões européias, prestam serviços para o império, graças a uma conduta ética entre cavaleiros, por terem suas vidas poupadas numa determinada guerra.

Quando estão prestes a cumprir todas as suas obrigações para os romanos e serem livres, chega a notícia: terão de cruzar a Bretanha para resgatar uma família de romanos, acuada entre a tribo de Woads, uma espécie de nativos da ilha, e os saxões, bárbaros sangrentos que pilham e destroem tudo o que tocam. Qualquer lição de casa bem feita por algum aluno de Ensino Médio já apontaria alguns erros nessa história, mas como o roteiro se baseia exclusivamente em suposições, podemos deixar isso de lado, por enquanto.

A tarefa do grupo é arriscada, quase suicida. Afinal, não só os woads são extremamente hostis, como também a belicosidade dos saxões parece ser estimulada com a simples idéia de matar qualquer um que apareça em seu raio de visão. Não deixa de ser até previsível a aliança entre Arturius e os woads. Não só porque eles precisam vencer os saxões para não serem destruídos, mas também pelo aparecimento de Guinevère, uma jovem e bela nativa (e também guerreira, fazendo recordar a heroína televisiva Xena), que encantará o futuro rei. Some-se a isso, o fato de que Merlim é na verdade o bruxo chefe da tribo.

A miscelânia étnica e cultural serve como pano de fundo de uma série de batalhas, forçados romances e certas práticas que não levam a lugar algum. Quando se optou por seguir a "história real", deixaram de lado os maiores trunfos que a lenda possui. O resultado é uma árida narrativa, que tenta nos fazer crer por meio de exagerados heróis, pitorescos cenários e violentas batalhas, que se trata de algo solene e significativo. Um embuste, cuja profundidade diminui a cada minuto de filme.

Fuqua, que demonstrou suas habilidades em o Dia de Treinamento, erra a mão em sua nova produção, a começar pelas cenas de ação, muitas vezes carentes de relevância dramática. Até mesmo as grandes batalhas, que deveriam ser viscerais, eloqüentes e sangrentas, tornam-se extremamente antissépticas, sem a credibilidade de um filme "realista".

Mesmo assim, o filme está longe de ser uma fria. Com bons atores, excelentes fotografia e locações - que realmente contribuem para a atmosfera da história - a produção consegue divertir a platéia. Algo para se ver numa tarde chuvosa de domingo, até porque Rei Artur não deixa de ser uma positiva aventura medieval.

Rodrigo Zavala


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